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Vi como afiam facas na Índia e agora faço-o em casa: até facas velhas ficam muito afiadas em apenas um minuto.

Pessoa a afiar uma faca numa pedra de amolar com um copo de água e faca adicional ao lado.

A primeira vez que vi aquilo, parei literalmente a meio de uma rua barulhenta em Deli. Um homem, com uma camisa azul desbotada, pedalava uma bicicleta velha - mas a roda traseira nem sequer tocava no chão. Em vez disso, uma roda estreita de pedra girava no ar, a chiar baixinho, enquanto uma faca de cozinha de uma mulher lhe roçava a lateral em movimentos rápidos e treinados. Saltavam faíscas, as crianças olhavam, alguém regateava o preço. Em menos de um minuto, a lâmina que parecia perdida estava, de repente, a cortar um tomate como se fosse gelatina.

Fiquei ali a pensar nas minhas facas sem fio em casa e na minha gaveta cheia de afiadores inúteis.

Uma semana depois, estava a tentar a mesma técnica na minha cozinha minúscula, sem bicicleta e sem vendedor de rua.
E foi aí que a coisa ficou interessante.

O que aprendi a ver afiar facas na rua na Índia

O homem não complicava. Sem ferramentas sofisticadas, sem movimentos lentos, sem monólogo ao estilo do YouTube. Mantinha a faca num ângulo estável, pressionava-a com confiança contra a pedra a girar depressa e deslizava do cabo (calcanhar) até à ponta num só gesto fluido - e depois voltava. A roda girava porque ele pedalava com os pés descalços, num ritmo constante como um batimento cardíaco.

As pessoas apareciam com facas que pareciam ter trinta anos, cabos escurecidos, pontas tortas. Cada uma saía dali com um fio que quase dava medo de ver.

Uma mulher entregou-lhe um cutelo grande e pesado, daqueles que parecem ter aberto caminho por mais ossos do que um talho em hora de ponta. O fio estava lascado, rombo, quase acinzentado. Ele nem pestanejou. Um salpico de água na pedra, algumas passagens fortes de cada lado, e um último toque leve que parecia quase uma carícia.

Depois testou-o rapando uma tira fina da casca de um coco. Saiu como manteiga. A mulher riu-se, atirou-lhe umas rupias para a mão e foi-se embora a segurar o cutelo velho como se fosse um brinquedo novo.

A vê-lo trabalhar, percebi algo que nunca tinha realmente visto em tutoriais e blogs de cozinha polidos. O verdadeiro segredo não era o gadget. Era velocidade, ângulo e confiança. A pedra girava rápido, o que significava que ele não ficava a “cozinhar” o metal e a aquecê-lo. O ângulo mantinha-se mais ou menos igual em todas as passagens - não perfeito, apenas consistente. E ele não pensava demasiado.

Aquilo que parecia magia era uma rotina repetível que dá para traduzir para uma cozinha moderna… se a simplificares.

A rotina de um minuto do “afiador indiano” que podes copiar em casa

Em casa, obviamente, eu não tinha uma bicicleta com uma pedra de afiar presa ao lado. Tinha uma pedra barata de afiar, de duas faces, comprada na Amazon, uma caneca e um monte de facas que mal cortavam a pele de um tomate. Por isso tentei recriar a mesma energia: rápido, simples, sem cerimónias.

Foi isto que acabei por fazer: deixei a pedra de molho em água durante 5–10 minutos, coloquei-a sobre um pano húmido e escolhi a minha pior faca de chefe antiga como “paciente”. Fixei um ângulo de cerca de 15–20° imaginando uma moeda grossa entre a lâmina e a pedra. Depois fiz dez passagens rápidas do cabo à ponta de um lado, virei a faca, dez passagens do outro. Sem movimentos lentos e solenes. Apenas um deslizar uniforme.

A primeira surpresa foi a rapidez com que o metal reagiu quando deixei de o tratar com “luvas”. Depois dessas vinte passagens, enxaguei a lâmina e fiz cinco passagens mais leves por lado na face mais fina da pedra - mesmo ângulo, mesmo ritmo. Total: menos de um minuto, sem precisar de cronómetro.

Sequei a faca, peguei numa folha de papel e tentei cortá-la. O papel separou-se num sussurro limpo. Era uma faca que andava a humilhar-se em cebolas há meses. No dia seguinte, experimentei o mesmo método numa faca de legumes pequena usando apenas o anel inferior não vidrado de uma caneca de cerâmica como “pedra” - e mesmo assim passou de inútil a afiada em menos de um minuto.

Foi aí que fez clique: o método “da rua na Índia” não é um produto, é uma mentalidade. Deixas de tratar o afiar como um ritual anual e começas a tratá-lo como escovar os dentes. Curto, regular, nada sofisticado.

Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias. Mas quando percebes que um retoque rápido de um minuto pode transformar até uma faca de feira da ladra, algo no teu cérebro relaxa. Já não tens medo de “estragar” a lâmina. Fazes só algumas passagens confiantes, como aquele tipo em Deli, e voltas a cozinhar antes de o óleo sequer aquecer.

Pequenos hábitos, facas afiadas: como manter o fio sem perderes a cabeça

A rotina prática que guardei daquela cena de rua é ridiculamente simples. Uma vez por semana, tiro duas facas que realmente uso: a faca de chefe e a faca de legumes. Molho a pedra - ou viro uma caneca ao contrário se estiver com preguiça - e gasto cerca de 30 segundos em cada faca. Fixio o ângulo levantando ligeiramente a espinha (a parte de cima da lâmina) e puxo a faca pela superfície abrasiva num movimento suave, como se estivesse a tentar tirar uma película fininha da própria pedra.

Dez passagens de um lado, dez do outro. Depois três passagens leves de “acabamento”. E pronto. Sem grampos, sem guias complicadas, sem manuais de doze passos guardados no telemóvel.

Onde as coisas costumam correr mal não é nas mãos, é na cabeça. Ficamos tensos, obcecamo-nos com o ângulo “perfeito”, carregamos demasiado. Os afiadores de rua na Índia não fazem isso. A pressão deles é firme, mas não brutal; o movimento é relaxado, quase casual. Repetem o mesmo gesto até virar memória muscular.

Se tens medo de raspar a faca até à morte, começa pela mais barata e mais velha. Repara como o som do metal contra a pedra muda, de áspero para mais suave. Essa mudança diz-te mais do que qualquer tabela.

Perguntei a um afiador porque é que ele não usava máquinas elétricas como algumas lojas mais “finas”. Ele encolheu os ombros e disse: “A máquina é rápida, mas as mãos conhecem melhor a faca.” Essa frase ficou comigo sempre que assento a lâmina numa pedra em casa.

  • Mantém tudo molhado: Um salpico de água na pedra ou na caneca mantém a coisa mais fresca e suave, tal como o homem da roda de bicicleta ia pingando água enquanto trabalhava.
  • Usa passagens leves de acabamento: Depois das primeiras passagens firmes, aligeira o toque. É nessas últimas passagens que o fio fica verdadeiramente cortante.
  • Deixa de perseguir a perfeição: Um ângulo consistente, “bom o suficiente”, ganha sempre a um ângulo “ideal” que está sempre a mudar.
  • Afia menos, usa mais a chaira: Uma passagem rápida numa chaira antes de cozinhar pode adiar sessões de afiação completas e proteger o fio.
  • Respeita o fio: Uma faca afiada é mais segura, mas continua a ser perigosa. Nada de estar a mexer no telemóvel enquanto picas ervas.

O prazer silencioso de trazer facas “mortas” de volta à vida

Há algo inesperadamente satisfatório em pegares numa faca que estavas pronto a deitar fora e vê-la a deslizar por um tomate maduro sem pressão nenhuma. Transforma uma tarefa numa pequena vitória privada. Não precisas de uma oficina, de uma garagem, nem de uma roda a pedal numa rua cheia. Só precisas de uma superfície plana, algo abrasivo e vontade de confiar um pouco mais nas mãos.

O que trouxe da Índia não foi nenhum “segredo” exótico - foi apenas a prova de que facas afiadas não pertencem só a quem tem equipamento caro. Pertencem a qualquer pessoa disposta a passar sessenta segundos tranquilos a mover aço contra pedra.

Da próxima vez que abrires a gaveta e vires aquela faca triste e romba, talvez te lembres daquele homem de camisa azul num passeio empoeirado, a pedalar a roda enquanto as crianças viam as faíscas. Não podes copiar a vida dele, mas podes perfeitamente copiar o ritmo.

E se o teu primeiro fio não ficar perfeito, está tudo bem. O aço perdoa. As mãos aprendem. O próximo minuto será melhor do que o último.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Rotina simples de um minuto 10–15 passagens por lado numa pedra ou numa caneca de cerâmica, com passagens leves de acabamento Transforma facas rombas em facas muito afiadas sem equipamento especial nem tutoriais longos
Foco no ângulo e no ritmo Ângulo de cerca de 15–20°, movimento consistente do cabo à ponta Reduz a dúvida e o medo de “estragar” a lâmina
Mentalidade acima de gadgets Retoques curtos e regulares em vez de sessões raras e demasiado complicadas Ajuda a manter todas as facas de cozinha utilizáveis, seguras e agradáveis de usar

FAQ:

  • Pergunta 1 Posso mesmo afiar uma faca só com uma caneca de cerâmica, como descreveste?
  • Pergunta 2 Como é que sei que estou no ângulo certo sem ferramentas de medição?
  • Pergunta 3 Este método de um minuto pode danificar as minhas facas caras?
  • Pergunta 4 Com que frequência devo repetir esta rotina para manter as facas afiadas?
  • Pergunta 5 Qual é a diferença entre alinhar (com chaira) e afiar, em termos do dia a dia?

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