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Segundo a psicologia, a vida melhora quando deixas de procurar a aprovação dos outros.

Pessoa usando smartphone numa mesa com chá e bloco de notas.

O café arrefece na tua secretária enquanto percorres ecrãs e rostos à procura de um aceno, de um gosto, de um breve “bem feito”. Muitas pessoas medem hoje dias inteiros por estes pequenos sinais. O padrão parece normal, quase inofensivo. No entanto, a psicologia sugere algo mais inquietante: quando o teu humor depende da aprovação externa, a tua vida passa silenciosamente para o controlo de outra pessoa.

Quando deixas de perseguir um “sim”, o teu cérebro muda de engrenagem

Os psicólogos descrevem muitas vezes a caça à aprovação como uma slot machine moderna. Cada vez que abres uma aplicação ou a tua caixa de entrada, puxas uma alavanca. Talvez recebas um coração, um polegar para cima, um e-mail a elogiar. Talvez não recebas nada. A incerteza mantém-te agarrado.

A procura de confirmação constante parece autocuidado, mas treina silenciosamente o teu cérebro a subcontratar o teu valor.

De um ponto de vista clínico, isto toca em três necessidades básicas: pertença, estima e competência. Querer sentir-te apreciado não é um defeito. O problema começa quando a tua autoavaliação assenta quase totalmente nas reações dos outros.

Nesse estado, a tua vida emocional balança como um pêndulo. Uma mensagem positiva eleva-te por uma hora. Uma reunião neutra derruba-te pelo resto do dia. Neurologicamente, o teu sistema de recompensa aprende a perseguir “recompensas variáveis” - esses reforços irregulares de reconhecimento que são altamente viciantes.

Afastar-te deste padrão tem menos a ver com dureza e mais com onde colocas o centro de gravidade. Em vez de pensares “sou bom se eles o disserem”, começas por “é assim que eu avalio o meu próprio trabalho, e depois somo por cima feedback útil”. O feedback passa a ser tempero, não a refeição inteira.

Uma armadilha comum no local de trabalho

Imagina um gestor intermédio que, antes de cada grande apresentação, varre a sala à procura da reação de um sénior específico. Se o sénior acena com a cabeça, o stress derrete. Se fica com expressão impassível, o gestor passa a noite a rever mentalmente cada slide.

Pessoas nessa posição começam muitas vezes a fazer escolhas não pela qualidade, mas pelo aplauso. Uma alteração de última hora, feita apenas para arrancar um sorriso, aumenta o risco de erro. A mudança é subtil, mas marca o momento em que a confirmação externa, discretamente, pega no volante.

O método dos “três C”: critérios, ciclo, limite

Vários terapeutas sugerem hoje uma abordagem muito prática para quem fica preso em ciclos de procura de aprovação. Uma estrutura simples - critérios, ciclo, limite - pode reduzir a verificação compulsiva sem cortar o feedback por completo.

  • Critérios: antes de começar uma tarefa, define três padrões claros de qualidade que importam para ti.
  • Ciclo: estabelece janelas fixas para feedback e reflexão, em vez de verificares constantemente.
  • Limite: decide quando e onde vais procurar reações e respeita esse limite.

Define os teus próprios padrões antes de a multidão o fazer por ti; o teu sistema nervoso responde com mais calma e foco.

Na prática, isto pode significar: terminas um relatório, escreves o que “bom o suficiente” significa em termos concretos, envias, e depois agendas uma revisão de dez minutos contigo próprio quando as respostas chegarem. Fora dessa janela, resistes ao impulso de reler e-mails ou mensagens “só para o caso”.

Três erros comuns ao recuar na procura de aprovação

As pessoas que tentam mudar este hábito caem frequentemente em armadilhas previsíveis:

  • Da dependência para a abstinência fria. Alguns passam de precisar de validação constante para rejeitar qualquer feedback. Isso costuma sair pela culatra, porque bloqueia a aprendizagem e alimenta mal-entendidos.
  • Confundir consenso com qualidade. Se cinco pessoas adoram uma ideia, ela parece segura. Isso não significa que seja a melhor abordagem. Bom trabalho e trabalho popular nem sempre se sobrepõem.
  • Recolher opiniões a mais. Perguntar “Isto está OK?” a várias pessoas costuma produzir conselhos contraditórios, deixando-te ainda mais confuso.

Escolher uma ou duas vozes de confiança e explicitar o que precisas - “Podes dizer-me o que melhorar?” em vez de “Gostas?” - cria um ciclo de feedback mais limpo e menos emocional.

O que muda de facto: de picos de dopamina para motivação estável

A investigação sobre o cérebro aponta para um padrão claro. Notificações sociais e elogios imprevisíveis geram pequenas explosões de dopamina. Estes picos sabem bem, mas são instáveis. Quando deixas de depender desses picos, o sistema recalibra gradualmente. Começas a retirar satisfação do próprio trabalho, não da reação.

A motivação passa de “faço isto para que aprovem” para “faço isto porque encaixa nos meus valores e competências”.

As pessoas que conseguem esta mudança raramente se tornam robôs indiferentes. Continuam a importar-se com reações, mas são menos abaladas pelo silêncio ou por críticas leves. Os picos de ansiedade diminuem. A concentração alonga-se. As decisões parecem menos negociações com observadores imaginários e mais escolhas alinhadas.

Impacto no trabalho e nas relações

Em contextos profissionais, menos perseguição tende a levar a melhor discernimento. Quando não estás mentalmente a implorar por comentários em tempo real, consegues:

  • Definir expectativas mais claras no início de um projeto.
  • Pedir feedback concreto e estruturado em momentos definidos.
  • Dizer não a ajustes desnecessários que apenas servem o ego de alguém.

As reuniões tornam-se um pouco menos teatrais e um pouco mais sobre substância. Fora do trabalho, dinâmicas românticas e familiares respiram com mais liberdade. Há menos pressão para “atuar” e mais espaço para estar presente. Ser valorizado deixa de parecer um veredicto e passa a ser uma realidade partilhada que ajudas a construir.

Mudanças-chave quando deixas de perseguir aprovação

Mudança-chave O que muda Porque importa
Critérios internos Avalias o teu trabalho com métricas pré-definidas antes de chegarem reações Reduz o efeito chicote emocional causado pelos humores dos outros
Feedback estruturado Recolhes comentários em momentos planeados, com perguntas claras Menos ruído, orientação mais útil, decisões mais rápidas
Âncora interna mais forte Equilibras cada opinião com evidência sobre o teu próprio desempenho Constrói autorrespeito estável, mesmo em dias silenciosos

Conceitos psicológicos por detrás desta mudança

Vários termos aparecem com frequência na investigação sobre aprovação e valor próprio:

  • Autocompaixão: tratares-te com a mesma justiça que oferecerias a um amigo num mau dia, em vez de medires o teu valor apenas por resultados e elogios.
  • Limites saudáveis: linhas claras sobre quando o feedback é bem-vindo, que temas estão abertos a comentários e o que fica sob a tua própria autoridade.
  • Mentalidade de crescimento: veres os erros como informação e material de treino, não como prova de que és um fracasso.

Combinar estas ideias cria uma base interior mais robusta. Continuas a ouvir. Continuas a adaptar-te. Mas não entregas o poder total de definir quem és.

Cenários da vida real: como isto se vê no dia a dia

Cenário 1: o e-mail sem resposta

Envias uma proposta cuidadosa ao teu gestor. Passam horas. Sem resposta. Hábito antigo: entras em espiral, repetes mentalmente cada frase e talvez envies outra mensagem “Só a confirmar!”. Hábito novo: verificas a tua lista de critérios. Estava claro? Completo? Dentro do prazo? Se sim, registas uma nota para o próximo ciclo de feedback e passas à tarefa seguinte.

Cenário 2: publicar algo online

Partilhas um trabalho ou uma atualização pessoal. Em vez de verificares o telemóvel a cada cinco minutos, defines uma regra: vais olhar duas vezes hoje, a horas fixas. Nesses momentos, avalias que comentários são construtivos e quais são apenas ruído. O teu sentido de identidade não oscila a cada novo gosto.

Riscos e benefícios de recuar na procura de aprovação

Existem alguns riscos a curto prazo. Colegas ou amigos podem notar que pedes menos tranquilização e interpretar mal isso como distância ou arrogância. Explicar o teu método - “Estou a tentar agrupar feedback para me conseguir concentrar melhor” - costuma aliviar essa preocupação.

Os benefícios a médio prazo tendem a superar o desconforto. Pessoas que, gradualmente, recentram o seu valor próprio relatam:

  • Menos ciclos de ruminação à noite.
  • Maior disposição para tentar tarefas desafiantes.
  • Menor tendência para pedir desculpa em excesso ou explicar demasiado.
  • Maior resiliência perante crítica ou silêncio.

Micro-experiências práticas para testar a tua dependência de aprovação

Podes tratar isto como investigação pessoal, em vez de uma mudança dramática de vida. Durante duas semanas, escolhe uma pequena área em que vais adiar o pedido de confirmação. Por exemplo, decide que, em tarefas rotineiras, não vais perguntar “Isto está OK?” a menos que exista um risco real associado.

Mantém um registo breve com três perguntas: Aconteceu mesmo alguma coisa má? Quanta ansiedade senti, de 1 a 10? O que aprendi sobre o meu próprio julgamento? Esta experiência simples revela muitas vezes que o medo de agir sem aprovação imediata é mais alto do que a realidade.

Se sabes claramente por que fizeste algo, consegues ouvir qualquer opinião sem perder esse “porquê”.

Com o tempo, o diálogo interno suaviza-se. Em vez de “Preciso que eles gostem disto”, muda para “Tenho orgulho em como lidei com isto e estou aberto a aprimorá-lo”. As vozes externas não desaparecem. Apenas deixam de ser a única medida de se o teu dia - ou a tua vida - está a correr bem.

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