That strange chill at 19–20°C isn’t just in your head.
Em toda a Europa, 19–20°C é a definição oficial “sensata” para o aquecimento no inverno, pensada para equilibrar conforto e fatura energética. Ainda assim, muita gente dá por si a tremer no sofá, a pensar se o aquecimento avariou - ou se o corpo é que está “estragado”. A resposta é bem mais complexa do que um simples número num ecrã.
Porque é que pode sentir frio a uns “perfeitos” 19–20°C
O número no termóstato é apenas metade da história
Um termóstato mede a temperatura do ar, não a forma como o seu corpo a sente. O conforto térmico depende de vários fatores interligados, capazes de transformar uma divisão tecnicamente quente numa divisão desconfortável.
Os mesmos 19°C podem parecer acolhedores numa casa e gelados noutra, consoante a humidade, o movimento do ar e a temperatura das superfícies.
Eis alguns dos principais culpados:
- Humidade: Ar muito seco (abaixo de cerca de 40% de humidade relativa) aumenta a evaporação da pele, o que o faz sentir mais frio. No extremo oposto, ar muito húmido (acima de 60%) parece pegajoso e pesado, e também pode fazê-lo notar mais qualquer corrente de ar.
- Correntes de ar e fugas: Janelas mal vedadas, buracos de fechadura, caixas de correio e folgas por baixo das portas deixam o ar frio entrar. Mesmo uma pequena corrente no pescoço ou nos tornozelos pode fazer uma sala quente parecer gelada.
- Paredes, chão e janelas frios: O seu corpo troca calor com as superfícies à volta por radiação. Se estiver rodeado por paredes frias ou janelas grandes com vidro simples, o seu corpo “vê” um ambiente mais frio do que a temperatura do ar sugere.
- Nível de atividade: Se estiver a trabalhar ao computador, a mexer no telemóvel ou a ver televisão, o corpo produz muito menos calor do que quando cozinha, limpa ou faz bricolage.
Porque é que o seu corpo pode ser mais sensível do que o de outras pessoas
Nem toda a gente sente 19°C da mesma forma. Duas pessoas na mesma divisão podem ter experiências muito diferentes com exatamente a mesma temperatura.
- Idade e saúde: Pessoas mais velhas, pessoas com tensão arterial baixa ou com certos problemas de tiroide ou de circulação tendem a sentir frio mais cedo.
- Metabolismo: Um metabolismo naturalmente mais lento, pouca massa muscular ou perda de peso recente podem reduzir a produção de calor.
- Hormonas: Ciclos hormonais, menopausa ou certos medicamentos alteram o fluxo sanguíneo e a regulação do calor.
- Alimentação e hidratação: Comer muito pouco, saltar refeições ou estar desidratado pode deixá-lo arrepiado, sobretudo ao fim do dia.
- Hábitos de roupa: Meias finas num chão de madeira sem tapete ou uma T‑shirt em janeiro podem agradar mais à fatura do que ao conforto.
Sentir frio a 19°C não significa que seja fraco ou “mimado”; os corpos e as casas reagem de forma diferente às mesmas condições.
Como sentir-se mais quente sem aumentar o termóstato
Traga a humidade para a zona de conforto
Antes de mexer no termóstato, verifique o próprio ar. Um pequeno higrómetro digital custa pouco e indica a humidade relativa em segundos.
| Nível de humidade | Como se sente | O que fazer |
|---|---|---|
| Abaixo de 40% | Seco, nariz/garganta irritados, parece mais frio do que é | Aumentar a humidade: taças com água perto dos radiadores, plantas de interior ou um humidificador |
| 40–55% | Geralmente confortável para a maioria das pessoas | Manter com arejamento breve e evitando aquecer em excesso |
| Acima de 60% | Ar pesado e pegajoso, risco de condensação e bolor | Ventilar, usar exaustor ou desumidificador |
Essa faixa intermédia, perto de 45–50%, costuma fazer com que 19°C pareça visivelmente mais agradável. A pele perde menos calor e respirar torna-se mais fácil.
Procure correntes de ar e zonas frias
Um rápido “teste da mão” revela mais do que imagina: num dia de vento, passe lentamente a mão à volta de caixilhos de janelas, tomadas em paredes exteriores e na parte inferior das portas. Qualquer fluxo frio percetível destrói o conforto.
- Use rolos anti-correntes ou toalhas enroladas na base das portas.
- Substitua ou adicione vedantes nas janelas onde sentir movimento de ar.
- Tape lareiras/chaminés não usadas com um bloqueador próprio anti-correntes.
- Coloque uma aba/escova na caixa de correio e nos buracos de fechadura.
Travar algumas correntes “furtivas” pode parecer o mesmo que aumentar o aquecimento um grau - sem tocar na caldeira.
Aqueça as superfícies, não apenas o ar
Chãos frios e vidro frio fazem o corpo irradiar calor para fora, mesmo quando o ar está oficialmente “quente”. Pequenas mudanças reduzem esse efeito.
- Coloque tapetes grossos em pavimentos duros, sobretudo junto ao sofá, cama e secretária.
- Use cortinas forradas ou térmicas e feche-as assim que escurecer.
- Afaste ligeiramente os móveis das paredes exteriores para não ficar encostado a uma superfície fria.
- Nos quartos, evite (quando possível) dormir encostado a uma parede exterior fria.
Distribua o calor pela divisão
Em muitas casas, o ar quente acumula-se perto de radiadores ou salamandras, enquanto o lado oposto da divisão se mantém mais fresco. Uma mistura suave do ar ajuda.
- Use uma ventoinha pequena e lenta apontada para o teto para empurrar o ar quente de volta para a divisão.
- Garanta que os radiadores não estão bloqueados por móveis pesados ou coberturas grossas.
- Purge (sangre) os radiadores regularmente para aquecerem por completo de cima a baixo.
Vista-se como quem vive a 19°C, não a 23°C
A maioria das pessoas subestima a diferença que a roupa faz dentro de casa. Algumas camadas inteligentes costumam resultar melhor do que uma única camisola muito grossa.
- Comece com uma camada base de manga comprida ou camisola térmica.
- Acrescente uma camisola leve ou fleece que possa tirar facilmente ao cozinhar ou limpar.
- Use meias adequadas e chinelos; pés frios fazem o corpo inteiro sentir mais frio.
- Use uma manta no sofá em vez de subir o termóstato todas as noites.
Pense em 19°C como “temperatura de casaco e meias”, não como território de calções e T‑shirt.
Use o sistema de aquecimento natural do seu corpo
Se ficar sentado e imóvel durante horas, o seu “aquecimento central” interno abranda. Pequenas explosões de movimento mudam a perceção da mesma temperatura.
- Levante-se e alongue-se a cada 30–45 minutos.
- Ande depressa pela casa durante um par de minutos quando começar a sentir frio.
- Faça exercícios leves com o peso do corpo, como agachamentos ou marcha no lugar.
Mesmo três a cinco minutos de movimento melhoram a circulação, aumentam ligeiramente a temperatura central e fazem-no sentir-se mais quente durante algum tempo.
Quando faz sentido aumentar o termóstato - e quanto custa
O preço real de mais um grau
Agências de energia por toda a Europa estimam que aumentar o aquecimento em apenas 1°C pode elevar a fatura em cerca de 5–7%. Para um agregado que gasta £1.200 por ano em aquecimento, isso representa mais £60–£80 simplesmente por passar, em média, de 19°C para 20°C.
Antes de pagar mais por outro grau, verifique se a humidade, as correntes de ar, as superfícies e a roupa estão a jogar contra si.
Dito isto, conforto e saúde importam. Estar constantemente a tremer ou dormir num quarto húmido e frio não é medalha de mérito.
Situações em que uma definição mais alta pode ser razoável
- Presença de bebés, familiares idosos ou pessoas com condições crónicas de saúde.
- Casas com isolamento muito fraco, em que partes da casa ficam perto da temperatura exterior.
- Períodos de doença, quando o corpo tem mais dificuldade em regular o calor.
Nesses casos, subir o termóstato 1°C depois de tentar outras medidas pode ser uma escolha racional, desde que tenha em conta os custos e o consumo de energia.
Dicas extra: da “temperatura operativa” a cenários do dia a dia
Um termo útil: temperatura operativa
Os profissionais falam muitas vezes em “temperatura operativa”. Esta combina a temperatura do ar com a temperatura média das superfícies à volta. Uma divisão pode mostrar 20°C no termóstato, mas se as paredes e janelas estiverem a 14°C, o corpo sente algo mais próximo de 17–18°C.
Isto explica porque é que um apartamento bem isolado a 19°C pode ser muito mais confortável do que uma casa antiga e com correntes, mesmo regulada para 21°C. Melhorar o isolamento e aquecer as superfícies muda muitas vezes mais o conforto do que mudar o número no seletor.
Dois cenários comuns que mudam tudo
Cenário 1: Teletrabalho ao portátil
Fica quase imóvel durante horas, com os pés num chão de madeira sem tapete, perto de uma janela grande. O termóstato marca 20°C, mas a humidade está nos 30%, o vidro está frio e uma ligeira corrente roça-lhe os tornozelos. A meio da manhã, sente-se gelado.
Pequenas correções - tapete debaixo da secretária, meias mais grossas, um fleece leve, fechar as cortinas a meio, um alongamento rápido a cada hora - fazem muitas vezes com que esses mesmos 20°C passem de “castigo” a confortável.
Cenário 2: Noite em casa com a família
O termóstato está nos 19°C, mas o forno esteve ligado, várias pessoas andam de um lado para o outro e cortinas grossas estão corridas sobre vidro duplo. A humidade está mais perto dos 50%. As superfícies estão mais quentes e há menos correntes. Mesmo com a definição mais baixa, as pessoas sentem-se bem com camisolas leves.
Estes exemplos mostram como hábitos, disposição da casa e o timing podem alterar drasticamente o conforto sem mexer nas definições do termóstato.
Olhar para a sua casa por este prisma - humidade, correntes de ar, temperatura das superfícies, atividade e roupa - transforma a pergunta de “Porque é que tenho frio a 19°C?” em “Qual é a peça do puzzle do conforto que está a faltar e como a posso resolver de forma barata e sensata?”
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