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Nem natação nem Pilates: a melhor atividade para maiores de 65 anos com problemas nas articulações

Grupo de mulheres idosas a praticar tai chi numa sala de ginástica bem iluminada, com plantas ao fundo.

O primeiro impacto é o som. Não o estrondo dos pesos nem o estalar das cordas de separação numa piscina, mas um arrastar suave de sapatos e pequenas explosões de riso. É terça‑feira de manhã num ginásio modesto de uma vila, e a aula de “Equilíbrio & Movimento para Seniores” está a compor-se. Nada de collants, nada de Lycra de alta performance. Sobretudo jeans, camisolas largas, alguns sapatos ortopédicos que já viram muito.

Ao fundo, um homem nos seus finais de 60 apoia as duas mãos numa barra alta, testando os joelhos com uma curiosidade cautelosa. Tentou natação no ano passado. Pilates no ano anterior. E em cada tentativa, as articulações revoltaram-se. Hoje, parece desconfiado, mas esperançoso. A instrutora pede a todos que imaginem que estão a passar por cima de uma poça de água. Movem-se devagar, com precisão.

Ninguém está a ficar sem ar. Ninguém está a fazer caretas de dor.

Há algo de invulgar a acontecer aqui.

A revolução silenciosa do movimento “amigo das articulações”

Se tem mais de 65 anos e joelhos rabugentos ou ancas doridas, já conhece o guião. As pessoas dizem “Nada, é suave!” ou “Faz Pilates, é de baixo impacto!”, e você acena, porque a intenção é boa. Depois experimenta e os ombros inflamam a cada braçada, ou as costas queixam-se no reformer. A teoria soa ótima; o corpo, nem por isso.

O que está a surgir discretamente em centros comunitários e em clínicas modernas de fisioterapia é diferente. Chama-se treino funcional de força e equilíbrio, muitas vezes dado em pequenos grupos com cadeiras, barras de apoio ou paredes por perto. Os movimentos parecem quase demasiado simples. Sentar e levantar de uma cadeira. Dar passos laterais. Levantar um peso leve. Mas, para articulações sob cerco, é aqui que a verdadeira magia se esconde.

Veja-se o caso da Marie, 72 anos. Ex-tenista, duas próteses no joelho, e um tornozelo teimoso que nunca perdoou totalmente uma entorse grave nos seus 50. A filha inscreveu-a em hidroginástica. Durou três sessões antes de os movimentos de torção na água lhe deixarem as ancas a latejar à noite. Depois veio o Pilates: ótimo para a força do core, sim, até que um círculo de perna mal calculado fez o nervo ciático lembrar-lhe que ainda existia.

O médico de família recomendou uma aula local de “prevenção de quedas” que soava, sinceramente, deprimente. Ela imaginou pessoas a arrastarem-se à volta de cones. Em vez disso, encontrou uma sala luminosa, música dos anos 70 e uma instrutora que sabia o primeiro nome de toda a gente - e a última cirurgia também. Três meses depois, a Marie não estava a treinar para uma maratona. Estava a subir sozinha os degraus do autocarro outra vez. Era essa a vitória de que precisava.

Este tipo de atividade trabalha três pilares preciosos: força, equilíbrio e mobilidade amiga das articulações. Quando as articulações doem, o instinto é mexer-se menos. Os músculos enfraquecem, o equilíbrio piora e cada passo começa a parecer uma caminhada sobre cascas de ovos. As sessões funcionais invertem esse ciclo. Ao aumentar a massa muscular à volta de articulações frágeis e ao treinar o corpo a reagir a pequenas perdas de equilíbrio, reduzem a carga sobre a cartilagem e os ligamentos.

A natação e o Pilates têm benefícios, sem dúvida. O problema é que muitas vezes exigem bons ombros, bom controlo do core, ou conseguir deitar-se no chão e voltar a levantar-se. Para muitas pessoas com mais de 65 e dor articular, isso já é uma barreira. O treino funcional de força e equilíbrio encontra as pessoas onde elas estão: de pé, com apoio numa cadeira, a mover-se no mesmo sentido da vida real.

Como é, na prática, esta “melhor atividade”

Uma sessão típica começa no lugar mais seguro: de pé atrás de uma cadeira robusta ou de uma barra leve. Pés à largura das ancas, uma mão a repousar suavemente no apoio, a outra livre. Primeiro movimento? Simples: sentar e levantar da cadeira, sem usar as mãos se possível. Descer devagar, expirar ao subir. Só isto já pode ser um mini-treino quando as coxas andam há algum tempo sem grande trabalho.

Depois vêm os passos laterais. Um passo para a direita, juntar os pés. Um passo para a esquerda, juntar os pés. Acrescentar uma ligeira flexão dos joelhos quando a confiança aumenta. Mais tarde, aparecem pesos de mão leves: uma pequena garrafa de água em cada mão, levantando até à altura dos ombros - não mais alto - enquanto a instrutora vigia os seus ombros com atenção. No total, isto parece mais um ensaio para a vida diária do que “exercício”.

O erro que muitas pessoas cometem é esperar pelo momento “perfeito” para começar. Depois das festas. Depois de o joelho deixar de doer completamente. Depois de “perderem primeiro um pouco de peso”. Todos já passámos por isso: aquele momento em que adiar parece mais seguro do que enfrentar o que o corpo consegue - e não consegue - fazer.

Outra armadilha: comparar-se com o seu eu mais jovem. “Eu corria 10 km, isto não é nada.” Essa voz interior é brutal. O treino amigo das articulações precisa da energia oposta. Movimentos pequenos e consistentes, celebrados como grandes vitórias. E sim, há dias em que as articulações estão rabugentas. Nesses dias, reduzir a intensidade é permitido. Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias sem falhar. O objetivo é regularidade, não perfeição.

“Depois da cirurgia à anca, o fisioterapeuta disse-me: ‘Esqueça o ginásio. Quero que domine ficar em pé numa perna enquanto lava os dentes.’ Ao início ri-me. Agora percebo. O equilíbrio é a diferença entre manter a independência e, de repente, precisar de um andarilho.” - Alain, 68

  • Comece com supervisão
    Idealmente, inicie sob o olhar de um fisioterapeuta, um treinador de reabilitação ou um instrutor qualificado. Eles adaptam os movimentos aos seus joelhos, ancas, ombros e a qualquer historial cirúrgico.

  • Pense em movimentos “da vida real”
    Priorize movimentos que usa de facto: sentar e levantar, alcançar uma prateleira, virar-se para olhar para trás, passar por cima de um lancil. Cada repetição é como um ensaio para a segurança do dia a dia.

  • Use a dor como feedback, não como chefe
    Um pouco de esforço muscular ou desconforto ligeiro pode ser normal. Dor articular aguda, intensa ou persistente é um sinal de alerta. A sessão deve deixá-lo mais estável, não castigado.

  • Integre o equilíbrio em hábitos
    Fique em pé numa perna segurando a bancada da cozinha. Caminhe ao longo de um corredor como numa “linha de corda bamba”. Estes micro-momentos somam mais do que um treino heróico uma vez por mês.

Uma nova forma de envelhecer que não idolatra a juventude

O que está a mudar silenciosamente, dentro destas aulas de grupo modestas e de sessões individuais, é a história que as pessoas contam a si mesmas sobre envelhecer. Não “tenho de me manter jovem a todo o custo”, mas “quero continuar a viver a minha vida sem medo de cair ou de inflamar as articulações”. É uma pressão muito diferente. Mais suave, mas também mais honesta.

O treino funcional de força e equilíbrio não é vistoso. Não vai vê-lo a ser tendência em contas glamorosas de fitness. No entanto, muitas vezes é a atividade que permite aos avós pegar num bebé ao colo, transportar compras, ou descer uma rampa de garagem sem prender a respiração. Para alguém cujos joelhos estalam em cada escadaria, isso é enorme.

Este tipo de trabalho deixa uma pergunta que fica consigo muito depois da aula: o que é que eu quero, de facto, que o meu corpo seja capaz de fazer aos 70, 80, 90? Não num folheto abstrato sobre saúde, mas numa terça‑feira de manhã real, na sua cozinha real, com as suas articulações reais. Essa pergunta é pessoal. A melhor atividade é simplesmente a que mantém essa resposta possível.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
O treino funcional de força e equilíbrio é ideal Foca-se na força das pernas, estabilidade do core e movimentos do quotidiano usando cadeiras, barras e pesos leves Oferece um caminho realista e amigo das articulações para manter a mobilidade depois dos 65
Sessões pequenas e regulares vencem treinos intensos 2–3 sessões semanais de 20–40 minutos, com exercícios simples em casa entre as aulas Reduz o medo de lesões e torna o progresso alcançável
Começo orientado com personalização Sessões iniciais com um fisioterapeuta ou instrutor qualificado, adaptadas a cirurgias e níveis de dor Limita inflamações articulares e constrói confiança desde o primeiro dia

FAQ:

  • Pergunta 1 O treino funcional de força e equilíbrio é mesmo melhor do que natação ou Pilates para dor articular?
  • Resposta 1 Não é “melhor” para toda a gente, mas muitas vezes é mais prático para maiores de 65 com vários problemas articulares, porque usa movimentos de pé, com apoio e próximos da vida real, sem exigir ombros fortes ou trabalho no chão.
  • Pergunta 2 Quantas vezes por semana devo fazer este tipo de treino?
  • Resposta 2 A maioria dos fisioterapeutas sugere 2–3 sessões por semana, com exercícios muito leves de equilíbrio ou mobilidade integrados nas rotinas diárias - por exemplo, ficar em pé numa perna enquanto segura a bancada.
  • Pergunta 3 Vou precisar de equipamento especial em casa?
  • Resposta 3 Muitas vezes, basta uma cadeira robusta, uma parede desimpedida e, talvez, duas pequenas garrafas de água ou halteres leves para uma boa rotina em casa.
  • Pergunta 4 E se a minha dor piorar depois de uma sessão?
  • Resposta 4 Se a dor numa articulação ficar aguda, se o inchaço aumentar ou se a dor persistir mais de 24–48 horas, pare esses movimentos específicos e fale com o seu fisioterapeuta ou médico para ajustar o plano.
  • Pergunta 5 Posso combinar isto com natação ou Pilates?
  • Resposta 5 Sim, muitas pessoas fazem-no. Usam o treino funcional de força e equilíbrio como base e depois acrescentam natação suave ou Pilates cuidadosamente adaptado quando o corpo tolera.

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