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Esta espécie invasora de peixe no Mediterrâneo preocupa seriamente os especialistas.

Homem de bata e óculos examina peixe estranho numa mesa ao ar livre, com barcos e mar ao fundo.

Investigadores ao longo da costa oriental do Adriático soaram o alarme após confirmarem a presença de um baiacu altamente tóxico em águas mediterrânicas, um animal capaz de prejudicar tanto as pessoas como ecossistemas marinhos frágeis. Por detrás da imagem de postal de baías turquesa e barcos de pesca, esconde-se uma preocupação crescente: um predador invasor que não pertence a este lugar, mas que se está a estabelecer rapidamente.

Um visitante letal com um rosto familiar

A espécie no centro do alerta é Lagocephalus sceleratus, conhecida como baiacu-de-bochechas-prateadas (ou peixe-balão). Embora muitas pessoas associem os baiacus a recifes tropicais coloridos ou ao prato japonês de alto risco fugu, esta espécie em particular chegou agora de forma inequívoca ao Mediterrâneo.

Cientistas croatas da Universidade Juraj Dobrila de Pula e do Instituto de Oceanografia e Pescas de Split confirmaram a sua presença ao longo das suas costas, juntando a Croácia a uma lista crescente de países mediterrânicos afetados, da Turquia e do Egito à Tunísia e à França.

Antes restrito às águas quentes dos oceanos Índico e Pacífico, o Lagocephalus sceleratus estabeleceu-se agora em grande parte da bacia do Mediterrâneo.

A sua viagem está ligada ao Canal de Suez, que funciona como um corredor entre o Mar Vermelho e o Mediterrâneo. Desde o primeiro registo formal na região, em 2003, o peixe expandiu-se rapidamente, ajudado pelo aquecimento do mar e pela falta de predadores naturais.

Uma toxina que desliga o corpo

O verdadeiro perigo deste peixe está no interior da sua carne e dos seus órgãos. O Lagocephalus sceleratus contém tetrodotoxina, uma neurotoxina poderosa que pode ser mortal mesmo em quantidades mínimas. Ao contrário de uma intoxicação alimentar comum, esta substância ataca diretamente o sistema nervoso.

A ingestão de tecidos contaminados pode desencadear sintomas em minutos: formigueiro à volta da boca, tonturas, vómitos e dificuldade em falar. À medida que a toxina se espalha, as vítimas podem perder a capacidade de se mover, mantendo-se totalmente conscientes.

A tetrodotoxina pode paralisar os músculos usados para respirar, levando a insuficiência respiratória e, nos casos mais graves, à morte.

Não existe antídoto específico. O tratamento depende, em geral, de hospitalização rápida, suporte respiratório e da espera até que o organismo elimine lentamente a toxina. Em países onde, por vezes, se consome baiacu, o manuseamento incorreto ou a venda ilegal já levou a acidentes fatais.

Mais do que apenas um risco de envenenamento

Este peixe não é perigoso apenas quando ingerido. As suas mandíbulas fortes, em forma de bico, podem provocar mordeduras graves. Investigadores relatam amputações parciais de dedos em pessoas que tentaram manusear exemplares vivos ou retirá-los de redes de pesca.

Para pescadores de pequena escala que trabalham manualmente, isto acrescenta mais uma camada de risco no mar, onde a ajuda médica não é imediata.

  • Neurotoxina nos órgãos e na carne (tetrodotoxina)
  • Início dos sintomas em dezenas de minutos após a ingestão
  • Possível paralisia respiratória e morte sem cuidados rápidos
  • Risco de lesões graves nos dedos devido a mandíbulas fortes em forma de bico

Um invasor a remodelar a cadeia alimentar

Os biólogos estão igualmente preocupados com o impacto ecológico. O Lagocephalus sceleratus é classificado como espécie invasora: chega a uma nova área, prospera e perturba o equilíbrio nativo.

O Mediterrâneo já enfrenta sobrepesca, poluição e alterações climáticas. A entrada de um predador voraz e não nativo complica tudo. O baiacu alimenta-se de uma variedade de peixes pequenos e invertebrados, competindo com espécies locais e alterando a estrutura das teias alimentares.

Uma elevada taxa de reprodução e quase nenhum inimigo natural no Mediterrâneo dão a esta espécie uma grande vantagem competitiva.

Os relatos colocam agora o peixe em águas do Mediterrâneo oriental e central e tão a oeste como a costa francesa perto de Narbonne. Cada novo avistamento sugere que a população não só está a sobreviver como a expandir-se.

Pressão sobre as pescas e as economias costeiras

As pescas locais sentem o impacto de várias formas. As redes são danificadas pelos dentes fortes do peixe. As capturas tornam-se menos valiosas se espécies tóxicas se misturam no lote. Pescadores inexperientes ou turistas podem guardar o peixe errado, criando incidentes de saúde pública.

As autoridades receiam que um único envenenamento amplamente noticiado possa afetar o turismo costeiro nas regiões atingidas, mesmo que a maioria dos restaurantes nunca chegue perto de servir a espécie.

Porque é que os cientistas apelam a ação urgente

O coautor Dr. Neven Iveša e os seus colegas sublinham que a situação exige uma gestão séria e coordenada. À medida que o peixe se espalha, esperar que os problemas se agravem não é uma opção segura.

Especialistas defendem monitorização e gestão proativas para proteger a biodiversidade marinha, os meios de subsistência da pesca e a segurança pública.

Estratégias possíveis em discussão

Várias abordagens estão a ser consideradas ou testadas por países em toda a bacia:

  • Monitorização estruturada: formação de pescadores e mergulhadores para reportarem avistamentos e capturas.
  • Rotulagem clara nos mercados: garantir que espécies tóxicas nunca são vendidas como alimento.
  • Campanhas de sensibilização: informar comunidades costeiras, turistas e pescadores recreativos.
  • Investigação sobre controlo populacional: avaliar se pesca dirigida ou armadilhas podem limitar os números.

Algumas regiões consideraram incentivos financeiros para a captura e eliminação segura do peixe, transformando os pescadores em parceiros nos esforços de controlo. Qualquer esquema deste tipo deve ser cuidadosamente gerido para evitar criar um incentivo perverso à manutenção da população.

O que banhistas e pescadores devem saber

Para quem vive ou passa férias ao longo do Mediterrâneo, os especialistas sugerem algumas regras simples. Nunca coma um peixe desconhecido, a menos que esteja claramente identificado e preparado por profissionais qualificados. Não manuseie baiacus com as mãos desprotegidas. Se apanhar um durante a pesca, use ferramentas para remover o anzol e evite aproximá-lo do rosto ou dos dedos.

Situação Ação recomendada
Apanha um peixe estranho e inchado a partir da costa ou de um barco Não toque com as mãos desprotegidas; liberte com ferramentas ou comunique às autoridades locais
Vê o peixe num mercado local Evite comprar; alerte os inspetores do mercado se estiver a ser vendido como alimento
Alguém comeu um suposto baiacu Ligue imediatamente para os serviços de emergência; esteja atento a dormência ou dificuldades respiratórias

Os hospitais costeiros nas regiões afetadas estão a atualizar os seus protocolos para suspeitas de intoxicação por tetrodotoxina, assegurando que as equipas reconhecem os sinais precoces e prestam apoio rápido.

Termos-chave por detrás das manchetes

Tetrodotoxina: toxina natural presente em certos baiacus, alguns tritões e alguns invertebrados marinhos. Bloqueia canais de sódio nas células nervosas, impedindo a passagem de sinais elétricos. Isto leva a paralisia progressiva, começando nas extremidades e avançando até aos músculos respiratórios.

Espécie invasora: organismo introduzido, muitas vezes por ação humana, fora da sua área nativa, que depois se espalha e causa danos ecológicos, económicos ou para a saúde. Navios, canais, aquacultura e até libertações de aquários contribuem para estes movimentos.

Como poderá ser o Mediterrâneo daqui a 20 anos

Ecólogos marinhos estão a simular cenários para compreender como esta invasão pode evoluir. Num deles, o aquecimento das águas e a persistente ausência de predadores permitem que o Lagocephalus sceleratus se torne comum na maioria das zonas costeiras, obrigando os pescadores a adaptar artes, comercialização e espécies-alvo. As regiões que reagirem rapidamente com monitorização e educação poderão manter baixos os incidentes de saúde, mas ainda assim enfrentarão mudanças ecológicas.

Num cenário mais otimista, uma gestão direcionada, melhor controlo de introduções associadas ao transporte marítimo e períodos mais frescos no ciclo climático poderão limitar a expansão do peixe. As espécies locais e os predadores podem ajustar-se parcialmente, reduzindo a sua dominância em alguns habitats.

Por agora, os especialistas concordam num ponto: o baiacu-de-bochechas-prateadas já não é uma curiosidade distante. Faz parte da nova realidade mediterrânica, exigindo vigilância de cientistas, autoridades e de qualquer pessoa que viva, trabalhe ou descanse ao longo destas costas.

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