Saturday à tarde num pequeno apartamento na cidade. Daquele tipo em que a “sala” é basicamente um sofá, uma planta e um portátil equilibrado em cima de uma pilha de livros de mesa de centro. Os teus amigos mandam mensagem: “Importas-te que fiquemos em tua casa depois do concerto?” Olhas para o teu cansado sofá-cama do Ikea, aquele que geme sempre que alguém se senta, e sentes aquele nó familiar. Queres dizer que sim. Mas também temes o ritual de o abrir, o colchão a ceder, as piadas de desculpa na manhã seguinte sobre as costas doridas.
A verdade cai-te em cima: isto já foi prático. Agora está só… gasto.
Entretanto, fóruns de design e o TikTok de espaços pequenos estão em alvoroço com uma nova geração de sofás-cama que não gritam “sou secretamente uma cama desajeitada e pesada”. De repente, há um punhado de modelos surpreendentemente acessíveis por todo o lado.
E um deles está, discretamente, a roubar a cena.
Porque é que o sofá-cama do Ikea está a perder a magia
Entra em qualquer primeiro apartamento numa grande cidade e é provável que vejas a mesma silhueta: um clássico sofá-cama do Ikea, ligeiramente afundado, enfeitado com almofadas a tentar ao máximo esconder os altos e baixos. É quase um rito de passagem. Barato, fácil, chega em caixa plana. Compras à pressa, a pensar que dá “por uns dois anos” e, de alguma forma, passa uma década.
O problema é que as salas de hoje fazem triplo serviço: escritório, quarto de hóspedes e centro social. Esse velho sofá-cama, com ar pesado, de repente parece a versão mobiliário do Windows 98.
Uma stylist de interiores de Berlim partilhou recentemente uma foto que se tornou ligeiramente viral: tinha substituído o volumoso Ikea por um sofá-cama económico, esguio, cor caramelo, de uma marca online, com uma manta às riscas e um único candeeiro de cerâmica. Os comentários choveram:
“Espera, isso é um sofá-cama?”
“Link. Já.”
Em menos de uma semana, o modelo esgotou na cor mais popular. As pessoas não o estavam a comprar só para hóspedes. Estavam a usá-lo como sofá principal, canto de leitura, meio-escritório. Não fingia ser uma cama de hóspedes mal disfarçada na sala. Era uma peça de design a sério que, por acaso, se abria.
O que mudou não foi só a estética, foi a mentalidade. Já não queremos sacrificar estilo por meia dúzia de noites por ano em que alguém dorme em nossa casa. Queremos um sofá que pareça leve e elegante numa chamada de Zoom a uma terça-feira e que, à meia-noite, se transforme sem termos de arrancar um chassis de metal lá de dentro.
Os sofás-cama económicos modernos são desenhados mais perto do conceito de daybed: linhas limpas, assentos em banco único, mecanismos escondidos, tecidos que ficam bem em fotografia e limpam-se facilmente. O ar de “casa de estudante” saiu. A vibe de pequeno hotel boutique entrou.
O sofá-cama económico “da moda” que toda a gente está discretamente a guardar
O novo herói dos fãs de design não é o dobrável pesado e trapalhão. É o click-clack ou o extensível minimalista que, à primeira vista, parece um sofá simples. Pensa em braços finos, pernas de madeira ou metal que até queres mostrar, e uma almofada longa em vez de três moles e irregulares.
Muitos modelos económicos populares já usam espuma de alta densidade que mantém a forma e um encosto simples que desce em segundos. Sem barras a chocalhar. Sem correias misteriosas. De frente, lê-se como uma peça lounge de inspiração escandinava. De lado, vês estrutura suficiente para parecer adulto - não quarto de residência universitária.
Vê o caso da Léa, 32 anos, que se mudou para um estúdio de 27 m² em Paris no ano passado. Tinha um velho sofá-cama do Ikea que arrastava desde a universidade. Cedia. Rangia. Os convidados, educadamente, ofereciam-se para “ir para um hotel”.
A fazer scroll de madrugada, encontrou um sofá-cama económico com pernas de carvalho afuniladas e tecido terracota com aspeto de linho, por um preço mais baixo do que a última fatura mensal do supermercado. As avaliações diziam “firme mas confortável” e “ao vivo parece muito mais caro”. Encomendou, meio desconfiada.
No primeiro jantar com o sofá novo, uma amiga esticou-se e disse: “Eu dormia nisto mesmo que não abrisse.” É aí que se percebe que o sofá-cama evoluiu.
Em termos de design, estes modelos em alta ganham porque deixam de pedir desculpa por aquilo que são. Assumem três papéis claros: sofá, cama de hóspedes e âncora visual. Já não ficas preso a braços demasiado volumosos e arrumação pesada por baixo que grita compromisso.
Há também uma mudança discreta para texturas que ficam bem em fotos: bouclé, misturas de algodão-linho, tecidos técnicos de trama apertada. Apanham bem a luz, disfarçam migalhas e continuam macios. E como as marcas sabem que os seus sofás vão ser capturados para o Pinterest, estão a investir em proporções mais inteligentes e pernas mais elegantes, mesmo nas linhas económicas. Sejamos honestos: ninguém lê o manual de montagem passo a passo até ao fim, mas ainda assim podes acabar com uma peça que parece escolhida a dedo.
Como escolher um sofá-cama que não arruíne a tua sala
Começa com uma regra simples: compra pelo sofá de que precisas todos os dias, não pela cama de que precisas cinco fins de semana por ano. Senta-te nele em loja, se puderes. Se não, investiga as fotos e procura imagens reais nas avaliações. Queres um assento firme, idealmente uma única almofada que não te engula, e um encosto que suporte os ombros quando estás a trabalhar no portátil.
Depois, verifica o sistema de transformação. Encostos click-clack que descem num só movimento são ótimos para espaços apertados e para quem gosta de soluções simples. Plataformas extensíveis com arrumação por baixo são ideais se queres esconder edredões e almofadas. Se parece que precisas de um tutorial no YouTube sempre que o abres, passa à frente.
Um erro comum é ir demasiado barato ou demasiado grande. Os modelos “ao preço da chuva” podem parecer OK nas fotos do produto, mas na vida real o tecido borbota ao fim de um mês e o assento parece um banco de paragem de autocarro. No outro extremo, um grande sofá-cama de canto engole a divisão e domina todas as fotos e videochamadas.
Outra armadilha: escolher uma cor louca a pensar “é só um sofá-cama”. Vais vê-lo todos os dias. Verde-azeitona suave, greige, terracota ou azul profundo são teus amigos. Dá personalidade com mantas e almofadas que podes trocar quando te fartares - ou quando o gato as reclamar. Todos já passámos por aquele momento em que percebes que o teu sofá vermelho “divertido” é a única coisa que se vê no Zoom.
Alguns designers têm um teste simples: “Se o adorasses mesmo que nunca se transformasse numa cama, então é esse o teu sofá.”
- Verifica a profundidade
Cerca de 55–60 cm de profundidade de assento funciona tanto para sentar como para dormir sem parecer uma cadeira de dentista nem um poço de marshmallows. - Olha para as pernas
Pernas visíveis em madeira ou metal fazem imediatamente um sofá-cama económico parecer mais leve e caro, sobretudo em espaços pequenos. - Lê a densidade, não só o marketing
Espuma à volta de 30–35 kg/m³ (se estiver indicado) costuma significar que não vai ceder para um “hamaca” depois de uma maratona de filmes. - Mede a área quando está aberto
Marca no chão, com fita, o tamanho total em modo cama. Não queres estar a mover metade da mobília sempre que alguém dorme em tua casa. - Testa o tecido a pensar na tua vida
Crianças, animais, ou fãs de vinho tinto? Prefere têxteis de trama apertada e resistentes a nódoas, em vez de um bouclé superdelicado que vai prender no primeiro botão de calças de ganga.
Porque esta tendência de sofás-cama está a mudar a forma como recebemos
O que está a acontecer, discretamente, por trás destes posts de “sofás-cama económicos na moda” é uma mudança na forma como partilhamos as nossas casas. À medida que as rendas sobem e os metros quadrados encolhem, a divisão entre “quarto de hóspedes” e “tudo o resto” está a desaparecer. Um bom sofá-cama torna-se um pequeno ato de arquitetura de hospitalidade: estás a dizer “és bem-vindo aqui”, mesmo que “aqui” sejam 30 m² e uma vista para a parede do vizinho.
Os fãs de design adoram estes novos modelos porque não são tímidos. Não fingem que os hóspedes são um detalhe, e não te obrigam a viver com mobiliário feio só por causa de uma noite ocasional. O teu conforto diário fica em primeiro lugar - e a função cama é apenas um bónus inteligente à espera de entrar em cena.
| Ponto-chave | Detalhe | Valor para o leitor |
|---|---|---|
| Escolhe a pensar no uso diário primeiro | Prioriza conforto, profundidade e apoio como sofá; só depois confirma a função cama | Evita ficares com uma cama de hóspedes desajeitada que detestas 360 dias por ano |
| Procura linhas limpas e esguias | Almofada única, braços finos, pernas visíveis, cores calmas | Faz os espaços pequenos parecerem maiores e mais “curados” dentro e fora do ecrã |
| Verifica mecanismo e materiais | Sistema simples de dobrar ou puxar, boa densidade de espuma, tecido prático | Garante que os hóspedes dormem bem e que o sofá envelhece com elegância |
FAQ:
- Pergunta 1 Um sofá-cama económico é mesmo confortável para relaxar todos os dias?
- Resposta 1 Sim, desde que escolhas um modelo com espuma firme e de alta densidade e um encosto com bom suporte. Trata-o como sofá principal: confirma a profundidade do assento, avaliações sobre cedência e fotos em casas reais. Muitos sofás-cama abaixo dos 600 € já rivalizam com sofás “normais” de gama média.
- Pergunta 2 Um sofá-cama vai sempre parecer mais volumoso do que um sofá normal?
- Resposta 2 Já não. Muitos designs novos escondem o mecanismo num chassis fino, com braços estreitos e pernas visíveis para “levantar” visualmente a peça. De frente, a maioria das pessoas nem percebe que é cama até o abrires.
- Pergunta 3 Que tecido é melhor se eu tiver animais ou crianças?
- Resposta 3 Escolhe tecidos de trama apertada e tons médios: poliéster técnico, misturas de algodão ou falso linho. Resistirão melhor a nódoas e não acumulam tanto pelo. Evita tramas muito abertas e cores ultra-claras se a tua vida é… animada.
- Pergunta 4 Qual deve ser o tamanho para os hóspedes dormirem bem?
- Resposta 4 Para hóspedes regulares, aponta para pelo menos 120 cm de largura para uma pessoa; 140–160 cm para duas. Confirma as medidas em modo cama (não só a largura do sofá) e marca-as em casa para teres a certeza de que cabe.
- Pergunta 5 Vale a pena substituir o meu velho sofá-cama do Ikea se ainda “funciona”?
- Resposta 5 Se está a ceder, te dói as costas, ou tens vergonha de o oferecer a hóspedes, então sim. Um sofá-cama novo e bem escolhido melhora imediatamente a tua sala e a forma como recebes, muitas vezes por menos do que imaginas. O alívio emocional de deixares de pedir desculpa pela cama é real.
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