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Esqueça o sofá-cama da Ikea: este sofá-cama moderno e acessível já conquista fãs de design.

Mulher sentada num sofá bege numa sala iluminada, com almofadas e uma manta.

A mensagem faz ping no teu telemóvel às 23:47. “Entããão… há alguma hipótese de me deixar ficar em tua casa esta noite?”
Olhas para a sala e sentes aquela vaga familiar de pavor. O clássico sofá-cama do Ikea está ali, como um segredo culpado, já meio vergado da última visita, com o colchão fino a anunciar de antemão uma noite de dores nas costas.

Ensaías mentalmente o ritual: tirar as almofadas, lutar com a estrutura metálica, o rangido que acorda o prédio inteiro, o pedido de desculpa constrangido de manhã.

Há um motivo para tantos de nós tentarem evitar abrir aquela coisa, a menos que seja mesmo inevitável.

E se a cama de hóspedes não tivesse de ser o patinho feio do apartamento?

Porque é que a história habitual do sofá-cama está a mudar

Passa cinco minutos em qualquer apartamento de cidade e vês o mesmo padrão. Uma sala bonita, bem composta, uns apontamentos de design, uma ou duas velas perfumadas… e depois, no meio, um sofá-cama volumoso que parece saído de uma casa de estudantes.

O sacrifício é quase sempre o mesmo: trocas estética por funcionalidade, ou conforto por preço. O Ikea e as grandes cadeias viveram deste compromisso durante anos. Barato, prático, reconhecível. E também um bocado deprimente de olhar ao fim de algum tempo.

É aí que está a revolução silenciosa a acontecer agora. Uma nova geração de sofás-cama económicos está a tentar quebrar esse acordo.

Um modelo tem aparecido muito em reels do Instagram e no TikTok de design nos últimos meses: um sofá-cama estreito, estofado, com linhas limpas, sem estrutura metálica à vista, e com um colchão que não parece um tapete de ioga glorificado. Bloggers de interiores estão a decorá-lo com mantas de linho e candeeiros escultóricos, e os comentários acumulam-se: “Espera… isto é um sofá-cama?”

Um jovem casal em Manchester partilhou a experiência depois de trocar o antigo sofá-cama do Ikea por este novo modelo. Vivem num T0 de 36 m², recebem amigos constantemente e estavam cansados de pedir desculpa pelo colchão cheio de altos e baixos. O novo sofá? Custou menos do que o anterior e, ainda assim, os hóspedes mandavam mensagem no dia seguinte a pedir o link.

É assim que as tendências se espalham hoje: não por catálogos brilhantes, mas por costas cansadas e avaliações honestas.

O que mudou não foi só o aspeto; foi a mentalidade por trás destes designs. As marcas perceberam que quem vive na cidade já não quer “multifunções” como compromisso - quer como estilo de vida. Por isso, o sofá-cama da moda é mais esguio, mais próximo de uma banqueta de hotel boutique durante o dia e de uma cama a sério à noite.

O truque é engenharia inteligente escondida sob um estofo macio, quase discreto. Sem braços enormes, sem almofadas excessivamente fofas, sem mecanismos monstruosos que ameaçam os dedos. Só um sistema simples de abrir para baixo ou click-clack que parece mais baixar um banco num comboio do que montar um Transformer.

O resultado: ficas com uma peça que parece um sofá de design, com um preço que não exige um segundo cartão de crédito.

Como identificar um bom sofá-cama (que não arruína a tua sala)

A primeira coisa a fazer é mudar a forma como testas um sofá-cama em loja ou online. Em vez de te atirares para as almofadas, pensa como um hóspede. Olha para a profundidade do assento: consegues imaginar-te esticado a ler um livro, mas também deitado sem os pés a ficarem de fora?

Verifica o sistema de abertura com alguma desconfiança. Se o vendedor precisa de um mini-tutorial e de duas mãos para o abrir, imagina-te a fazer isso à meia-noite depois de um dia longo. Os modelos novos e em tendência costumam abrir com um só movimento, quase como virar uma página.

E sim, o colchão importa. Espuma fina e a ceder é um sinal de alerta, mesmo a preço baixo.

Um método concreto que muitos designers de interiores recomendam hoje é o “teste de três noites”. Nem toda a gente tem paciência para isso, mas quem faz uma vez jura pela experiência. Dorme no sofá-cama três noites seguidas. Sem batotas, sem voltar para a tua cama a sério.

Se na segunda noite já te doem os ombros ou acordas mais de duas vezes, esse sofá-cama não está pronto para receber hóspedes. É decoração. Uma designer de Lisboa contou-me que fez isto com uma peça da moda de que gostava visualmente. Na terceira manhã, devolveu-a e mudou para um modelo mais discreto e económico que, de facto, se sentia como um colchão - não como um compromisso dobrado.

Verdade nua e crua: o conforto ganha à estética no segundo em que és tu a tentar adormecer ali.

Há outra armadilha que apanha muitos de nós: a “ilusão do Pinterest”. Guardamos dezenas de imagens de sofás-cama super minimalistas em lofts enormes e depois encostamo-los a um radiador num estúdio de 25 m². O sofá fica sufocado, a divisão parece mais pequena e, de repente, a pechincha já não sabe a vitória.

Sê gentil contigo neste ponto. Já todos passámos por isso: o momento em que o moodboard de sonho bate de frente com a realidade de um corredor estreito e de um elevador onde mal cabem duas pessoas. Sejamos honestos: ninguém mede meticulosamente cada peça antes de comprar online.

Pega numa fita métrica, faz um esboço do espaço e deixa 60–80 cm de folga à frente do sofá para passagem quando estiver aberto. O teu “eu do futuro”, a montar a cama tarde da noite, vai agradecer.

Truques de design para fazer um sofá-cama parecer caro (com um orçamento baixo)

Depois de escolheres o sofá-cama certo, a magia está no styling. Uma peça acessível pode parecer mesmo premium se jogares com três coisas: tecido, luz e ritmo.

Começa pelos têxteis. Troca a manta qualquer por uma peça de boa qualidade, com textura - algodão tipo waffle, linho lavado ou uma mistura suave com lã. Duas ou três almofadas em tamanhos diferentes (não dez pequenas) dão logo aquela sensação de “um designer montou isto”. Mantém a paleta simples: uma cor principal, um acento e um neutro.

Depois, olha para cima. Um candeeiro de pé ou um aplique perto do braço transforma o sofá num canto de leitura - não apenas numa cama de emergência.

O erro mais comum é compensar em excesso. Compras um sofá-cama simples e económico e depois enches tudo de padrões e objetos para “esconder” a simplicidade. A sala fica agitada e confusa, e o sofá vira ruído visual.

Há também a compra por culpa: manter a mesa de centro antiga e trambolhuda “porque é sólida”, quando mata completamente a nova vibe. Uma mesa leve e estreita - mesmo em segunda mão ou de uma marca barata - vai emoldurar muito melhor o sofá-cama. O olhar lê a cena inteira antes de julgar o objeto isolado.

Se o orçamento for curto, dá prioridade a um tapete com estilo que “ancore” o sofá e ignora a tentação de cinco pequenos objetos decorativos que só vão ganhar pó.

Uma stylist de Paris que prepara apartamentos para sessões fotográficas disse-me: “Dá-me um sofá-cama simples, bem proporcionado e 20 minutos, e eu faço-o parecer que pertence ao lobby de um hotel boutique.”

  • Acrescenta uma almofada oversized numa cor contrastante em vez de quatro iguais.
  • Coloca uma consola estreita ou uma prateleira atrás do sofá para plantas, livros e um candeeiro de luz quente.
  • Escolhe um objeto marcante (um jarro ousado, uma impressão emoldurada) perto do sofá, e não cinco bibelôs.
  • Usa uma manta neutra durante o dia e guarda um edredão dobrado num puff com arrumação para a noite.
  • Coloca o sofá ligeiramente fora do centro do tapete para evitar o efeito “sala de espera”.

Uma pequena peça de mobiliário que muda discretamente a forma como vives

Passa algum tempo a observar como as pessoas circulam à volta de um bom sofá-cama e começas a ver o impacto real. Amigos ficam mais uma noite porque sabem que vão, de facto, dormir. Um irmão ou irmã aparece para um fim de semana e não precisa de reservar um Airbnb. A sala deixa de ser apenas um espaço de passagem e passa a sentir-se como o coração da casa.

É por isso que esta nova vaga de sofás-cama em tendência e com bom preço está a receber tanta atenção de quem gosta de design. Não é só o aspeto - é a liberdade que compra: receber, recarregar energias, usar cada metro quadrado de forma mais inteligente.

Talvez a verdadeira mudança seja esta: em vez de esconder o sofá-cama como um compromisso envergonhado, as pessoas começam a enquadrá-lo com orgulho como peça central. Esse aliado discreto e bonito que prova que viver em espaços pequenos pode ser, ao mesmo tempo, prático e generoso.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Priorizar o teste de conforto Usar o “teste de três noites” para avaliar a qualidade real do sono Evitar comprar um sofá que os hóspedes secretamente detestam
Trabalhar com proporções Medir profundidade, folgas e tamanho do tapete antes de comprar Manter a sala leve, em vez de apertada
Estilo acima do preço Melhorar com têxteis, iluminação e uma peça marcante Fazer um sofá-cama económico parecer de nível “designer”

FAQ:

  • Pergunta 1 O que torna esta nova tendência de sofá-cama diferente dos clássicos sofás-cama do Ikea?
  • Pergunta 2 Um sofá-cama económico pode mesmo ser confortável para dormir todos os dias?
  • Pergunta 3 Que tamanho devo escolher para um estúdio pequeno?
  • Pergunta 4 Como posso decorar um sofá-cama para que não grite “cama de hóspedes”?
  • Pergunta 5 Estes sofás-cama da moda são duráveis ou vão ceder ao fim de um ano?

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