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Despeça-se do sofá-cama: a Ikea lança um sofá multifuncional inovador que promete revolucionar pequenos apartamentos e dividir fãs de camas tradicionais para visitas.

Mulher arruma roupa cuidadosamente numa gaveta em sala de estar bem iluminada, ao lado de um sofá cinzento e plantas decorati

Num estúdio de 24 m² em Paris, numa terça-feira chuvosa, a Léa tenta puxar para fora o seu velho sofá-cama. A estrutura metálica encrava, o colchão dobra-se ao meio, os lençóis caem no chão. A melhor amiga, que supostamente ia dormir lá depois de um turno tardio, fica ali de casaco vestido, a tentar não se rir nem chorar. A cama range como um naufrágio e toda a gente se lembra, de repente: na verdade, ninguém gosta de dormir num sofá-cama.

Agora imagina a mesma cena, mas o sofá não se desdobra. Ele desliza, roda, esconde gavetas, transforma-se numa plataforma e, de alguma forma, consegue ser sala de estar, secretária e cama de hóspedes ao mesmo tempo. Essa é a promessa do novo sofá multifuncional da Ikea, que já está a causar discussões em apartamentos minúsculos e no TikTok.

Uma peça de mobiliário que quer matar o sofá-cama clássico. E talvez, um bocadinho, a nossa última desculpa para não receber ninguém.

O sofá que quer substituir o sofá-cama

À primeira vista, parece um sofá de linhas limpas e perfil baixo, pensado para o tipo de estúdio que aparece no Instagram. Braços direitos, profundidade compacta, cor neutra. Mas depois acontece algo: a base desliza para a frente, uma plataforma escondida levanta-se, surgem caixas de arrumação, as almofadas laterais desaparecem em bolsos. O recém-chegado controverso da Ikea não é um sofá-cama. É uma ilha transformável dirigida a quem conta cada centímetro quadrado.

A marca fala de um “hub de vida” em vez de uma simples peça para sentar. Arrojado ou pretensioso, dependendo do nível de cafeína. Ainda assim, a ideia é clara: um objeto que passa de ninho de Netflix a zona de hóspedes de emergência a escritório em casa sem uma única barra de metal a espetar-se nas costas. A promessa fala diretamente a uma geração cujo salão, quarto e escritório são muitas vezes os mesmos 10 metros quadrados.

Vejamos o Hugo, 29 anos, que vive num pequeno apartamento arrendado em Barcelona. O seu velho sofá “click-clack” rangia tanto que uma vez o vizinho de cima perguntou se ele estava a “montar móveis à 1 da manhã”. O colchão era fino, manchado por um copo de vinho derramado, e sempre que um amigo ficava lá, acordava meio partido. Um dia, depois de uma maratona de pesquisas online, deu com o protótipo deste sofá da Ikea num evento de showroom.

O demonstrador puxou o assento para a frente com dois dedos, virou uma almofada larga, revelou uma plataforma plana, depois abriu uma gaveta enorme para a roupa de cama e um painel lateral que também servia de mini secretária. O Hugo ficou convencido. Fez a pré-encomenda, livrou-se do sofá-cama antigo numa app de segunda mão e agora publica Reels, cheio de orgulho, do seu “transformer de sala” em dias de trabalho remoto e em manhãs pós-festa. Os amigos adoram o espaço extra. A coluna dele também.

Porque é que este sofá provoca tantas reações? Porque toca numa linha de fratura: a segurança emocional da cama de hóspedes. O sofá-cama tradicional diz: “Está tudo bem, arranjamos-te um sítio, mesmo que rangendo um bocado.” O novo modelo da Ikea diz: “Vamos otimizar, vamos ser racionais, vamos transformar tudo num sistema.” Uns acham isso genial; outros acham frio.

A marca está a apostar forte na ideia de que uma plataforma bem concebida, com apoio a sério, arrumação integrada e múltiplas configurações, supera o velho colchão dobrável com molas. Os fãs adoram a silhueta mais limpa e o facto de ser primeiro um sofá a sério e só depois uma cama quando é preciso. Os críticos veem um gadget que sacrifica o gesto óbvio - puxar uma cama - por uma abordagem mais abstrata ao ato de receber. No fundo, é um choque entre nostalgia e pragmatismo.

Como este novo sofá quer mudar a forma como vivemos em espaços pequenos

O verdadeiro truque desta nova peça da Ikea não é o “modo cama”, mas os modos intermédios. O assento desliza para a frente o suficiente para atirares uma manta por cima e te deitares quase totalmente esticado, sem desdobrar nada. Um módulo lateral levanta-se e cria uma pequena superfície de trabalho onde um portátil cabe mesmo. Debaixo da base, uma gaveta gigante engole edredões, almofadas e aquela manta suplente feia que não queres que ninguém veja.

É menos “Ta-dá, aqui está uma cama” e mais “Vamos ajustar ligeiramente para o que precisas agora.” Num apartamento de 20 m², isso é enorme. Podes receber dois amigos para uma noite de filmes, transformá-lo numa plataforma de dormir decente em três movimentos e depois empurrar tudo de volta de manhã, sem lutar com uma estrutura dobrável. O sofá torna-se coreografia em vez de combate.

Enquanto um sofá-cama clássico impõe uma escolha binária - sofá ou cama - este modelo multiplica microconfigurações. Isso ajuda mais no dia a dia do que na visita ocasional. Pensa na Lina, 33 anos, a trabalhar a partir de casa três dias por semana em Berlim. Durante o dia, usa o assento estendido como uma espécie de secretária de descanso: portátil em cima de um tabuleiro, pernas esticadas. À noite, empurra o assento para trás, atira almofadas, convida uma amiga para um copo de vinho. Uma vez por mês, quando a irmã a visita, transforma tudo numa superfície de dormir a sério e tira lençóis limpos da gaveta integrada.

Sejamos honestos: ninguém desdobra e volta a dobrar um sofá-cama todos os dias com o entusiasmo que aparece nos catálogos. É aí que a Ikea está a jogar a sua carta: pensar nos hábitos quotidianos, e não na experiência de hóspede perfeita duas vezes por ano. O sofá tem de servir primeiro quem lá vive e só depois o visitante ocasional.

Claro que esta mudança traz compromissos. Não tens o colchão clássico, totalmente separado, de um sofá-cama dedicado. A plataforma de dormir é larga e plana, mas continua a ser feita de almofadas e espuma estrutural. Ótimo para algumas noites; menos ideal se a tua sogra decidir ficar três meses. Algumas pessoas preocupam-se com a durabilidade dos carris deslizantes, a densidade da espuma, o destino do mecanismo após anos de empurrar para trás e para a frente.

Há também uma barreira psicológica. Não ver uma “cama a sério” a desdobrar-se pode criar stress em quem gosta de prova visual de que os hóspedes vão estar confortáveis. O lado revolucionário deste sofá é exatamente o que o torna divisivo. Obriga-nos a repensar a ideia de cama de hóspedes como um objeto dedicado, identificável, e a aceitar que o conforto pode vir de algo modular, menos óbvio, menos cerimonial. Para uns, é liberdade. Para outros, parece batota.

Deves trocar o teu sofá-cama pelo modelo multifuncional da Ikea?

Antes de te apressares a vender o teu velho sofá-cama, ajuda mapear a tua vida real, não a tua vida de sonho. Conta quantas noites por ano alguém realmente dorme em tua casa. Pensa onde passas mais horas: sentado, a relaxar, a trabalhar ou a receber. Se trabalhas sobretudo no sofá, vês séries e de vez em quando recebes um amigo que não se importa com uma superfície mais firme, este novo sofá multifuncional pode ser um verdadeiro upgrade. O teu conforto diário ganha.

Se, por outro lado, a tua sala também é o quarto de hóspedes da família em todos os Natais, ou se recebes frequentemente casais, podes continuar a precisar de uma cama extra de verdade. O sofá da Ikea é mais um transformador do quotidiano do que uma solução ao nível de hotel. A chave é vê-lo menos como uma “cama mágica” e mais como um canivete suíço para apartamentos minúsculos.

Muita gente cai na mesma armadilha ao comprar mobiliário multifuncional: imagina uma versão ultra-organizada de si própria que não existe. Vê-se a dobrar, arrumar, guardar e ajustar todas as manhãs como um influencer de limpeza no TikTok. Depois a vida acontece: noites longas, despertadores cedo, montes de roupa. A beleza deste sofá da Ikea é que pede gestos pequenos, não um ritual completo. Deslizar um pouco o assento, enfiar as almofadas no bolso lateral, puxar a gaveta a meio.

Se és do tipo que nunca fecha totalmente a porta do roupeiro, escolhe a configuração que funciona 90% do tempo e aceita o resto. O pior erro é comprar uma peça complexa para um estilo de vida fantasiado. O melhor é encontrar algo que perdoe os teus hábitos e ainda fique bem quando estás cansado.

“Toda a gente quer uma cama de hóspedes perfeita”, ri-se Camille, designer de interiores em Lyon que trabalha com muitos microapartamentos, “mas quase ninguém tem espaço ou energia para um quarto de hóspedes a tempo inteiro. O truque é aceitar que uma peça de mobiliário tem de desempenhar vários papéis sem fingir que é todos eles na perfeição.”

  • Testa os mecanismos na loja
    Senta-te, deita-te, desliza, puxa, abre. Faz como farias em casa, não com delicadeza. Valor: em dois minutos ficas a saber se este sofá serve ao teu corpo e ao teu nível de preguiça.
  • Atenção à altura e à profundidade
    Um sofá demasiado profundo é ótimo para relaxar, mas cansativo para hóspedes mais baixos. Este modelo joga numa profundidade média, o que ajuda tanto para conversar como para dormir. Valor: melhor postura, menos queixas.
  • Antecipar a arrumação de forma realista
    A gaveta gigante parece incrível, mas se estiver cheia de cabos aleatórios e revistas antigas daqui a três meses, a roupa de cama dos hóspedes volta a ir parar a uma cadeira. Valor: o teu “eu” do futuro vai agradecer na noite em que alguém chega à tua casa à meia-noite.

O fim do sofá-cama ou apenas mais uma fase da sala?

Este novo sofá da Ikea chega num momento estranho. As rendas sobem, os estúdios encolhem, o trabalho remoto estica o dia e a fronteira entre espaço privado e partilhado continua a dissolver-se. Nesse contexto, o sofá-cama tradicional começa a parecer um pouco uma relíquia dos anos 90: o amigo que cai em casa depois de uma noite de discoteca, a tia que visita uma vez por ano, a peça pesada que ninguém quer mexer. O sofá multifuncional, mais leve e mais fluido, fala a um ritmo de vida diferente.

Vai mesmo matar o sofá-cama? Provavelmente não. Vai haver sempre quem queira uma cama claramente desdobrável, com colchão grosso e um ritual de abrir e fechar. Mas este novo modelo híbrido abre outro caminho, em que a sala não se transforma ocasionalmente num quarto: negoceia constantemente as suas funções ao longo do dia. A pergunta não é “Este sofá é melhor?”, mas “Com que compromisso estás disposto a viver no teu pequeno reino?”

Uns vão agarrar-se ao clique reconfortante da estrutura dobrável. Outros vão, discretamente, deslizar o assento para a frente, puxar uma manta de uma gaveta secreta e aceitar que o futuro do viver pequeno pode parecer um transformer em cores neutras.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Design multifuncional Sofá, chaise longue, superfície de secretária e cama de hóspedes numa plataforma deslizante Ajuda a maximizar o conforto em apartamentos muito pequenos sem acrescentar mais mobiliário
Uso diário vs. uso para hóspedes Otimizado para sentar e relaxar no dia a dia, com qualidade de sono decente mas não ao nível de hotel Permite aos compradores priorizar o seu estilo de vida real em vez de estadias raras de hóspedes
Arrumação integrada Gaveta grande debaixo do assento e bolsos laterais para lençóis, almofadas ou material de trabalho Reduz a desordem e mantém a roupa de cama por perto para dormidas de última hora

FAQ:

  • O novo sofá multifuncional da Ikea é mesmo mais confortável do que um sofá-cama típico?
    Para sentar e relaxar no dia a dia, sim: o apoio e as proporções costumam ser melhores. Para dormir, é mais confortável do que sofás-cama muito básicos, mas ainda não está ao nível de um bom colchão independente.
  • Duas pessoas adultas conseguem dormir nele sem se sentirem apertadas?
    Dois adultos conseguem dormir nele por algumas noites, sobretudo se estiverem habituados a camas pequenas, mas é melhor vê-lo como solução ocasional do que como arranjo de longo prazo para casais.
  • O mecanismo deslizante desgasta-se rapidamente?
    O hardware é testado em laboratório para uso repetido, mas a vida real é mais caótica. Evita sobrecarregar a gaveta e forçar o deslizamento, e deverá aguentar vários anos em uso quotidiano normal.
  • Este sofá é boa ideia para famílias com crianças?
    Pode funcionar bem porque as crianças adoram o “efeito plataforma” e a arrumação escondida, mas vais ter de ser firme para que não tratem a base deslizante como uma diversão de parque.
  • Devo manter um colchão de hóspedes separado, só para o caso?
    Se recebes muitas vezes ou por estadias longas, um colchão dobrável ou uma cama insuflável guardada num armário é um bom complemento. Para a dormida ocasional, o sofá por si só costuma chegar.

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