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Adeus multas: estas são as novas margens oficiais dos radares de velocidade que os condutores devem conhecer.

Pessoa a conduzir carro numa estrada, com GPS no painel e limite de velocidade de 50 km/h visível.

A faísca surgiu do nada. Num segundo a estrada estava vazia, no seguinte o painel iluminou-se a vermelho e sentiu o estômago a afundar. Olha para o velocímetro: 93 km/h numa zona de 90. Tecnicamente acima do limite, mas… a sério? Será que uma diferença tão pequena merece multa, pontos, papelada, stress durante semanas?

Uns dias depois, na rádio, um locutor menciona “novas tolerâncias oficiais dos radares de velocidade” e, de repente, o carro fica em silêncio. Ouve com mais atenção. Estão a falar a sério? As regras finalmente acompanharam a condução na vida real?

Uma frase prende-o: “Abaixo desta margem, a multa deve desaparecer.”

O que muda realmente com as novas tolerâncias dos radares de velocidade

Sente-se na estrada: os condutores estão cansados de conduzir com os olhos mais colados ao velocímetro do que ao trânsito. Basta uma ligeira descida, uma pequena distração, e já está com medo de um radar escondido. Estas novas tolerâncias oficiais surgem exatamente nesse contexto, como uma promessa tímida de bom senso.

O princípio é simples: passa a existir uma margem de erro claramente reconhecida para os radares de velocidade, para ter em conta imprecisões técnicas e excessos muito pequenos. No papel, isso significa menos multas por aqueles “ups” mínimos que acontecem a toda a gente. Na prática, muda ligeiramente as regras do jogo entre condutores, radares e coimas.

Imagine que vai numa via rápida com limite de 110 km/h. O controlo de cruzeiro está nos 114, segue o fluxo, nada de especial. Alguns quilómetros depois, escondido atrás de uma ponte: flash. Antes destas tolerâncias atualizadas, podia muito bem receber uma multa com base numa velocidade medida com pouca ou nenhuma margem significativa.

Agora, os radares fixos têm de aplicar uma dedução legal à velocidade registada. Em vias rápidas, a margem é muitas vezes 5 km/h ou 5% da velocidade medida, dependendo do país e do equipamento. Isso significa que um carro medido a 114 km/h numa zona de 110 seria “considerado” a cerca de 108–109 km/h. Sem infração, sem multa, sem perda de pontos.

A lógica é muito terra-a-terra. Radares são máquinas, e as máquinas têm margem de erro. Os carros também. O velocímetro do seu painel raramente é perfeitamente preciso. Sem uma tolerância oficial, um condutor podia ser punido por uma combinação de pequena imprecisão técnica e um excesso quase inexistente. O novo enquadramento assume essa realidade e traça uma linha entre o excesso negligente e as flutuações do dia a dia.

Há também uma camada política: a fadiga das multas é real, e a aceitação pública dos controlos de velocidade depende de uma perceção de justiça. Um radar que dispara a 52 km/h numa zona de 50 parece mais uma caixa registadora do que uma ferramenta de segurança.

Como conduzir com as novas margens (sem abusar delas)

O hábito mais útil agora é pensar em “velocidade considerada” em vez de apenas olhar para o ponteiro. Se a tolerância legal for, por exemplo, 5 km/h abaixo dos 100 km/h e 5% acima disso, pode dar a si próprio uma pequena folga acima do limite sem entrar em território de multa. Isso não significa acelerar. Significa não entrar em pânico com 52 numa zona de 50 ou 93 numa zona de 90.

Um método concreto que muitos condutores experientes usam é este: em cidade, procure manter-se 2–3 km/h abaixo do limite no seu painel. Em estradas principais e autoestradas, regule o controlo de cruzeiro 3–5 km/h abaixo. Com a sobrestimação típica de muitos velocímetros e as tolerâncias oficiais, fica bem dentro da zona “sem multa”, mantendo uma condução fluida com o trânsito.

O que apanha muita gente é assumir que a margem é um “bónus” que pode gastar por completo. Ouve-se: “É 90, mas com tolerância posso ir a 99 e está tudo bem.” É assim que se passa de uma pequena rede de segurança para uma zona cinzenta permanente. Em piso molhado ou à noite, esses 9 km/h extra alongam as distâncias de travagem mais do que pensa.

Há também o risco de esquecer que nem todos os radares são calibrados da mesma forma, e nem todos os países ou regiões aplicam tolerâncias idênticas. As zonas de fronteira são famosas por essas surpresas. Sejamos honestos: ninguém lê todos os boletins oficiais linha a linha antes de entrar na autoestrada. Portanto, o instinto razoável é ver a tolerância como um escudo contra micro-erros, e não como o seu novo limite pessoal.

“Os radares deviam punir o perigo real, não o lado humano da condução”, explica Marc, 47 anos, que faz 120 km de deslocação todos os dias. “Deixei de olhar para o painel de dois em dois segundos. Conduzo ligeiramente abaixo do limite, e sei que, se for aos 52 durante alguns metros, o mundo não acaba.”

Para tornar isto concreto, aqui vai uma caixa rápida a resumir como muitos condutores ajustam mentalmente a sua margem em diferentes vias:

  • Zonas urbanas (30–50 km/h): aponte para 2–3 km/h abaixo do limite no painel.
  • Estradas secundárias (70–90 km/h): use o controlo de cruzeiro 3–4 km/h abaixo do sinal.
  • Autoestradas (110–130 km/h): mantenha-se 4–5 km/h abaixo, sobretudo com trânsito.
  • Chuva ou pouca visibilidade: esqueça a tolerância e abrande bem abaixo do limite.
  • País/região desconhecidos: assuma controlo mais apertado e mantenha uma margem de segurança maior.

Menos multas, ou apenas uma forma diferente de conduzir?

Estas novas tolerâncias já estão a mudar conversas no trabalho, em jantares de família, em grupos de mensagens. Uns celebram como uma pequena vitória contra “radares abusivos”. Outros encolhem os ombros e dizem que nada vai mudar porque as velocidades médias vão subir na mesma. Entre estas duas posições, a maioria só quer um pouco de folga sem se sentir perseguida.

A parte interessante é o que acontece na nossa cabeça. Quando sabe que existe uma margem oficial, relaxa um pouco. Deixa de varrer obsessivamente cada caixa à beira da estrada. Talvez até se atreva a olhar mais à frente, em vez de fixar os olhos no ponteiro. Isso é, provavelmente, mais seguro. Ao mesmo tempo, cresce a tentação de tratar a margem legal como um direito, quase como uma atualização escondida do limite.

Há uma frase simples e verdadeira por trás de tudo isto: nenhuma tolerância apaga as leis da física. Num acidente, o radar não interessa, o sinal não interessa - só a sua velocidade real e a situação contam. Estas novas regras não são um passe livre; são uma correção de um sistema que se tinha tornado demasiado implacável para pequenos deslizes. O que fica é uma pergunta que cada condutor responde sozinho: usamos esta folga para conduzir com mais calma, ou para tentar ir um pouco mais depressa, outra vez?

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Margem de tolerância legal Dedução fixa (km/h ou %) aplicada à velocidade registada antes de multar Percebe quando um pequeno excesso vai (ou não) gerar uma multa
Painel vs. radar Os velocímetros tendem a sobrestimar a velocidade face à leitura real do radar Pode definir uma “zona segura” realista no ponteiro sem viver com medo de flashes
Estratégia de condução inteligente Conduzir alguns km/h abaixo do limite em vez de contar com a tolerância Reduz multas, stress e risco de acidente, respeitando as novas regras

FAQ:

  • Pergunta 1: Estas tolerâncias significam que posso conduzir até 5 km/h acima do limite sem qualquer risco?
    Não exatamente. A tolerância aplica-se à velocidade medida pelo radar, não como um “bónus” público acima do limite. Serve para compensar erros de medição. Usá-la como objetivo pessoal envolve sempre algum risco.
  • Pergunta 2: Todos os radares estão configurados com a mesma tolerância?
    A maioria dos radares fixos e móveis segue o enquadramento oficial, mas a margem exata (km/h ou %) pode variar consoante o tipo de equipamento, a categoria da via e o país. Por isso, muitos condutores mantêm uma almofada de segurança abaixo do limite.
  • Pergunta 3: O meu velocímetro mostra 52 km/h numa zona de 50. Vou receber automaticamente uma multa?
    Em muitos casos, não, porque o painel tende a sobrestimar a velocidade real e o radar aplica uma dedução. Mas nada é “automático”: excessos repetidos ou grandes podem continuar a ser sancionados.
  • Pergunta 4: Estas novas tolerâncias aplicam-se no estrangeiro quando conduzo noutro país?
    Cada país tem as suas próprias regras e margens. Se atravessar uma fronteira, assuma que as tolerâncias podem ser mais apertadas ou diferentes e evite conduzir no limite do permitido.
  • Pergunta 5: Posso contestar uma multa invocando a tolerância se ia 1 ou 2 km/h acima do limite?
    Pode sempre contestar se achar que há erro, mas a dedução é normalmente aplicada antes de a multa ser emitida. A velocidade que aparece no auto costuma ser a velocidade “considerada”, já após a tolerância.

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