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Adeus fritadeira. Este novo aparelho de cozinha faz muito mais: tem nove funções que dividem os cozinheiros em dois grupos.

Pessoa retira um tabuleiro de forno com legumes e salmão de um mini forno prateado numa cozinha moderna.

A fritadeira de ar em cima da bancada parecia cansada. O cesto, outrora brilhante, estava riscado; o botão do temporizador, um pouco engordurado; um cemitério de batatas fritas congeladas e nuggets de frango no seu passado. No TikTok, mais um vídeo de “truque de fritadeira de ar” com iluminação perfeita e entusiasmo falso continuava a passar enquanto a Emma fazia scroll, meio aborrecida, meio culpada por aquele aparelho que tinha implorado para receber dois Natais atrás.

Depois viu outra coisa no feed. Um aparelho compacto com aspeto de mini‑forno que assava um frango inteiro, cozia uma focaccia, reaquecia pizza, grelhava legumes e, sim, também fazia “air fry”. Os comentários estavam ao rubro: “Equipa Fritadeira de Ar 4ever” vs “Isto substitui metade da minha cozinha”.

A Emma olhou para a bancada cheia de coisas e pensou: se um só aparelho consegue mesmo fazer nove tarefas, porque é que eu ainda ando a equilibrar três?

Da febre de uma só função à revolução nove‑em‑um

As fritadeiras de ar começaram como qualquer paixão de cozinha: rápidas, divertidas e um bocadinho milagrosas. Punhas coisas congeladas lá para dentro, carregavas num botão e saía comida estaladiça o suficiente para impressionar visitas e fácil o suficiente para parecer batota. Para noites ocupadas e cozinhas pequenas, parecia que tinhas ganho a lotaria.

Depois veio a ressaca. Queres assar legumes para quatro pessoas? Pequena demais. Tentaste fazer bolo? Bordas secas. Reaqueceste pizza? Textura estranha. Foi aí que o “forno multifunções com air fry” de nove funções - parte mini‑forno, parte grelhador, parte desidratador - entrou discretamente na conversa.

Um casal de Londres com quem falei teve o arco clássico da fritadeira de ar. Primeiro mês: uso diário, de asas congeladas a batatas para o pequeno‑almoço. Mês seis: pegavam nela duas noites por semana. Ano dois: vivia atrás da batedeira, usada sobretudo para “emergências” e aros de cebola.

Depois chegou o novo aparelho. O modelo deles tinha nove modos predefinidos: air fry, assar, cozer/forno, grelhar, reaquecer, desidratar, levedar, manter quente e tostar. No primeiro fim de semana, assaram um frango inteiro no sábado, cozeram caracóis de canela no domingo e usaram o modo de reaquecer para pizza do dia anterior que, de facto, sabia a pizza. A fritadeira antiga foi diretamente para o Facebook Marketplace.

O que estes fornos de nove funções mudam não são só as receitas, mas o ritmo. Em vez de planeares as refeições em função do tamanho do cesto, começas a pensar em camadas: tabuleiros no forno, dois tabuleiros a cozinhar ao mesmo tempo, desidratação lenta a baixa temperatura enquanto trabalhas no andar de cima.

O aparelho deixa de ser um “brinquedo de fritar” e passa a ser um segundo forno inteligente que, por acaso, dá uma crocância espetacular. É isto que realmente divide os cozinheiros em dois campos. De um lado, os que estão felizes com uma caixa simples e rápida para fritar a ar. Do outro, os que querem uma máquina compacta que substitua discretamente a torradeira, o segundo forno, o desidratador e metade dos tabuleiros e gadgets desencontrados.

Nove funções, uma bancada: como usar isto a sério

Se nunca usaste um destes fornos nove‑em‑um, o painel de controlo pode parecer o cockpit de um avião pequeno. O truque é começares com apenas três modos que vão mudar as tuas noites: assar, reaquecer e air fry.

Usa assar para tudo o que normalmente meterias no forno grande: frango inteiro, salmão, legumes, até lasanha. Usa reaquecer em vez do micro‑ondas quando queres sobras que saibam como ontem, e não a cartão morno. E deixa o air fry para aquela crocância rápida e a alta temperatura: batatas fritas congeladas, nuggets, grão‑de‑bico ou tofu estaladiço.

Quando esses três te saírem naturalmente, podes começar a explorar os modos do tipo “uau, não pensei que fosse usar isto”. Desidratar torna‑se um projeto silencioso de domingo: chips de maçã, tomates secos, couve crocante. Cozer/forno entra em cena quando não queres pré‑aquecer o forno gigante só por causa de um bolo pequeno ou de um tabuleiro de bolachas.

Levedar é a arma secreta de quem faz pão. Temperatura ligeiramente morna e estável, sem correntes de ar. A massa cresce devagar enquanto respondes a e‑mails. Tostar e manter quente parecem aborrecidos, mas substituem discretamente a tua torradeira e aqueles momentos estranhos em que o jantar está pronto antes de a família se sentar.

É também aqui que a frustração aparece para muita gente. Compram o aparelho, folheiam o manual, copiam uma receita viral do TikTok, queimam umas batatas‑doces e decidem que é sobrevalorizado. Todos já passámos por isso: quando uma ferramenta “que muda a vida” só acrescenta stress e loiça.

Sejamos honestos: ninguém anda a ler um manual PDF de 60 páginas todos os dias. Por isso, quem se apaixona por estas máquinas nove‑em‑um costuma adotar uma estratégia de sobrevivência muito simples:

“Trata-o como um forno pequeno e inteligente no primeiro mês. Só depois disso é que deves pensar nele como um ‘gadget mágico’ com nove truques”, diz a Sara, uma cozinheira caseira que trocou a fritadeira de ar por um 9‑em‑1 no inverno passado. “Quando deixei de perseguir hacks e passei simplesmente a assar a minha comida normal lá dentro, tudo fez sentido.”

  • Começa com três modos base (assar, reaquecer, air fry) durante pelo menos duas semanas.
  • Cozinha o que já sabes, apenas em porções mais pequenas e com tempos mais curtos.
  • Usa papel vegetal ou forros reutilizáveis para evitares esfregar a cada utilização.
  • Reserva as experiências (desidratar, levedar, grelhar pizza) para os fins de semana.
  • Mantém a tua fritadeira antiga na caixa durante um mês antes de a dares, só por precaução.

Porque é que este aparelho divide as pessoas - e o que isso diz sobre a forma como cozinhamos

Um forno de nove funções parece a resposta perfeita à vida moderna: menos espaço, menos aparelhos, mais opções. No entanto, fala com cozinheiros caseiros e vais ouvir reações quase opostas. Uns juram que mudou os jantares de dias de semana. Outros dizem que é só mais um trambolho a fingir que é essencial.

A divisão raramente é sobre a tecnologia. É sobre o estilo de cozinhar. Pessoas que gostam de planear, cozinhar em quantidade, pensar em tabuleiros e em “o que mais posso enfiar no forno enquanto isto coze” prosperam com este tipo de aparelho. Já quem vive de desejos espontâneos, lanches rápidos e refeições sem forno tende a ficar com as suas fiéis fritadeiras de ar e micro‑ondas.

Há também um fator geracional escondido ao fundo. Para arrendatários jovens em apartamentos pequenos, um forno de nove funções pode ser o único “forno a sério”, a peça que torna possível assar legumes e fazer pão sem instalar nada.

Para famílias em casas com fornos de tamanho normal já a funcionar, a pergunta passa a ser: precisamos mesmo de um segundo forno na bancada? Alguns dizem que sim, com entusiasmo, apontando para menor consumo de energia em porções pequenas e pré‑aquecimento mais rápido. Outros veem ali um futuro apanha‑pó onde antes esteve a panela de cozedura lenta.

E depois há o lado emocional de que ninguém fala nas fichas técnicas. Muitos de nós compramos gadgets a achar que vão resolver algo maior: as nossas noites apressadas, a culpa da comida congelada, o desejo de “cozinhar mais do zero este ano”. Quando isso não acontece de imediato, o aparelho torna‑se o símbolo de mais uma promessa falhada a nós próprios.

É por isso que o debate fritadeira de ar vs nove‑em‑um pode parecer estranhamente intenso online. Não é só batatas fritas vs frango assado. É rapidez vs intenção, conforto vs experimentação, o snack de cinco minutos vs o tabuleiro de forno de 30 minutos de que, secretamente, te orgulhas. Há quem só queira nuggets perfeitos. Outros querem um parceiro fiável na bancada que os empurre discretamente para refeições a sério, sem fazer alarido.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Multiusos vs uso único Nove modos (assar, cozer/forno, air fry, reaquecer, tostar, grelhar, desidratar, levedar, manter quente) podem substituir vários aparelhos Ajuda a decidir se este gadget consegue, de forma realista, desorganizar menos a cozinha
Começar simples Começar com três modos para o dia a dia antes de testar o resto Reduz a sensação de sobrecarga e o risco de comprar um “brinquedo” que não usas
Adequar aos teus hábitos Melhor para quem assa, cozinha em quantidade, ou não tem um bom forno principal Evita desilusões ao alinhar a compra com a tua vida real

FAQ:

  • Pergunta 1 O forno de nove funções substitui mesmo uma fritadeira de ar?
  • Resposta 1 Para a maioria das pessoas, sim. Usa a mesma tecnologia de ar quente rápido, apenas num espaço um pouco maior. Vais obter as mesmas arestas estaladiças em batatas fritas, asas, legumes e comida congelada, com a vantagem de também poderes assar e cozer. A única situação em que uma fritadeira de ar clássica é “melhor” é se cozinhas apenas porções pequenas e te importas mais com a velocidade do que com a versatilidade.
  • Pergunta 2 É eficiente em termos energéticos comparado com um forno de tamanho normal?
  • Resposta 2 Testes de associações de consumidores costumam mostrar que estes fornos compactos gastam menos energia em porções pequenas a médias, porque pré‑aquecem mais depressa e têm uma cavidade menor. Para um assado grande ou vários tabuleiros, o forno grande pode continuar a ser mais eficiente; mas para jantares do dia a dia para uma a quatro pessoas, o nove‑em‑um costuma ganhar.
  • Pergunta 3 Que tamanho devo escolher para uma família?
  • Resposta 3 Procura um modelo que aguente pelo menos uma pizza de 30 cm ou um frango inteiro num tabuleiro. Qualquer coisa menor vai frustrar-te rapidamente. Se tens três ou mais filhos, considera um modelo de dois níveis com duas grelhas, para assares legumes num nível e proteína no outro.
  • Pergunta 4 É difícil de limpar com tantas funções?
  • Resposta 4 As funções não mudam muito a limpeza, mas o design muda. Tabuleiro de migalhas removível, cestos ou grelhas antiaderentes e um interior liso fazem uma grande diferença. Forrar tabuleiros com papel vegetal ou tapetes de silicone ajuda a evitar a temida situação do “fóssil de queijo queimado”.
  • Pergunta 5 E se eu já tiver uma fritadeira de ar e um forno torradeira?
  • Resposta 5 Então a questão é espaço vs conforto. Se a combinação atual funciona e a tua bancada não está cheia, talvez não ganhes muito. Se os aparelhos já estão velhos, fracos ou constantemente a estorvar, um único forno de nove funções pode substituir ambos e libertar espaço. Algumas pessoas mantêm a fritadeira antiga durante um mês, comparam o uso e depois vendem a que ficar a ganhar pó.

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