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Não precisa ser especialista para fazer este foie gras: uso o micro-ondas e fica muito mais barato.

Travessa de vidro com prato cozinhado a cozinhar no micro-ondas. Ao lado, fatias de pão e condimentos na bancada.

Em vez de gastar uma fortuna numa terrina cara comprada a um serviço de catering, alguns cozinheiros caseiros estão discretamente a usar o micro-ondas do dia a dia para preparar foie gras festivo. O método parece quase suspeitamente fácil, mas continua a circular em comunidades de cozinha francesa por uma razão: funciona, mesmo quando se é principiante.

Foie gras sem chef: o que este método muda

A terrina tradicional de foie gras pode parecer intimidante. Vem acompanhada de conversa sobre banho-maria, temperaturas de forno precisas e aquela palavra temida, “dénervage” - retirar as veias dos lóbulos. Muitas pessoas acabam por desistir e comprar algo já pronto.

Este método de micro-ondas inverte o guião. Começa-se com um único lóbulo cru de foie gras de pato, à volta de 500 g, e recorre-se a curtos impulsos de calor em vez de uma cozedura longa e técnica. Sem banho-maria, sem termómetro, sem caçarola de ferro fundido.

No essencial, a receita é: temperar, repousar, cozinhar no micro-ondas em intervalos muito curtos e depois refrigerar pelo menos dois dias.

A promessa não é alcançar a perfeição digna de Michelin, mas sim uma terrina caseira generosa, com bom aspeto na mesa de Natal e que custa visivelmente menos do que uma versão de catering.

Passo a passo: do lóbulo cru à terrina festiva

1. Escolher e preparar o foie gras

Para este método, precisa de um foie gras de pato cru (cerca de 500 g). Em supermercados franceses, é frequentemente vendido embalado a vácuo na época que antecede o Natal. Em países de língua inglesa, pode ser encontrado em talhos especializados ou online.

Antes de mais, o lóbulo é demolhado em água fria com sal grosso durante cerca de uma hora. Isto ajuda a extrair vestígios de sangue e impurezas, resultando numa cor e num sabor mais limpos. Depois de escorrido, deve ser muito bem seco com papel de cozinha.

O passo seguinte é o que costuma assustar os principiantes: retirar as veias. Na prática, é menos dramático do que parece. Com uma faca pequena e bem afiada, abre-se suavemente cada lóbulo e seguem-se as veias principais, puxando-as com cuidado em vez de “esburacar” a carne.

O objetivo não é uma perfeição de nível cirúrgico, mas remover as veias mais grossas para que não apareçam na fatia.

2. Temperar e marinar

Quando o lóbulo estiver razoavelmente limpo, é hora de temperar. Uma proporção típica é cerca de 3 g de sal fino por 500 g, mais pimenta moída na hora. Alguns cozinheiros gostam de juntar uma pitada de açúcar ou quatro-espécies, mas a versão base mantém-se minimalista.

As partes temperadas são depois bem comprimidas numa pequena terrina de cerâmica ou num prato. Quanto mais apertado, mais bonita ficará a fatia depois. Deitam-se por cima duas colheres de sopa de vinho doce - frequentemente Monbazillac, Sauternes ou Porto branco.

  • Foie gras: cerca de 500 g de foie gras de pato cru
  • Tempero: sal fino, pimenta, possivelmente uma pitada de açúcar ou especiarias
  • Líquido: 2 colheres de sopa de vinho branco doce ou Porto branco
  • Equipamento: micro-ondas, taça, faca, pequena terrina/prato

A terrina repousa no frigorífico pelo menos uma hora para os sabores começarem a penetrar. Antes de cozinhar, deve voltar à temperatura ambiente para que o calor se distribua de forma mais uniforme.

O truque do micro-ondas: impulsos curtos, vigilância apertada

A chave deste método é uma regra simples: cerca de 20 segundos de micro-ondas por cada 50 g de foie gras, divididos em vários impulsos curtos. Para uma peça de 400 g, isto dá cerca de 2 minutos e 20 segundos no total, um pouco mais para 500 g.

Não se programa o micro-ondas para esse tempo total de uma vez. Cozinha-se 20 segundos, pára-se, observa-se e repete-se. Após cada intervalo, verifica-se como a gordura está a derreter nas bordas e roda-se o recipiente suavemente, se necessário.

Quando a ponta de uma faca inserida no centro sai quente mas não a escaldar, está perto da textura clássica de foie gras “mi-cuit”.

Cada micro-ondas comporta-se de forma diferente, por isso o ritmo pára-arranca é importante. Reduz o risco de cozinhar demais e dá margem para ajustar. Se a gordura começar a ferver vigorosamente, encurta-se o intervalo seguinte. Se parecer que nada acontece, alonga-se muito ligeiramente.

Porque é mais barato do que comprar uma terrina festiva

Em França, terrinas de foie gras prontas de charcutarias/catering ou marcas premium costumam ser vendidas em pequenas quantidades a preços elevados, sobretudo antes do Natal. Uma terrina caseira feita com um lóbulo de 500 g tende a ficar mais barata por porção, mesmo usando foie gras de qualidade e uma pequena garrafa de vinho doce.

Também se evitam listas longas de ingredientes que por vezes aparecem em produtos industriais: conservantes, antioxidantes, aromatizantes. Em casa, a lista é curta e clara: foie gras, sal, pimenta, talvez um pouco de álcool.

Pelo preço de um pequeno bloco comprado, muitas vezes obtém-se uma terrina generosa que dá facilmente para seis a oito pessoas como entrada.

Para famílias que querem manter o espírito festivo com um orçamento mais apertado, isto pode ser a diferença entre abdicar do foie gras e servi-lo com orgulho como prato de abertura.

Pequenos gestos que fazem grande diferença

Escolher o recipiente certo e controlar a textura

Um recipiente compacto ajuda o foie gras a ficar bem prensado. Recipientes grandes criam espaços vazios e fatias irregulares. Quanto mais denso o conjunto, mais limpa será a apresentação ao cortar.

A textura é gerida sobretudo pelo tempo de cozedura e pelo repouso. Um tempo total mais curto e o teste da faca ligeiramente quente dão um resultado macio, tipo mi-cuit. Intervalos mais longos e um centro muito quente levam a um foie gras mais firme, totalmente cozinhado, que algumas pessoas preferem para conservação.

O teste da paciência: 48 horas

Depois de terminar a cozedura, ainda há uma etapa inegociável: o repouso longo. A terrina deve arrefecer à temperatura ambiente e depois ficar pelo menos 48 horas no frigorífico. Durante este tempo, a gordura solidifica, os aromas assentam e as fatias ficam coesas.

Servir demasiado cedo costuma dar fatias esfareladas e sabor menos expressivo; a espera compensa mesmo.

Muitos cozinheiros até a preparam com três ou quatro dias de antecedência. Isso distribui o trabalho de Natal e reduz a correria de última hora na cozinha.

Ideias de serviço, segurança e alguns esclarecimentos

Quando for para servir, desenformar é opcional. Há quem corte diretamente no recipiente. Outros viram a terrina depois de mergulharem rapidamente a base em água quente para soltar a gordura. Uma faca fina e quente, limpa entre cada fatia, dá o resultado mais elegante.

Acompanhamentos clássicos incluem pão rústico torrado, brioche ou um pão ligeiramente doce com fruta seca. Um pouco de chutney de figo ou de cebola funciona, mas este método de micro-ondas já produz um foie gras bastante rico e aromático, por isso a moderação ajuda a não o “abafar”.

Como esta receita costuma resultar numa textura “mi-cuit”, a conservação exige atenção. A terrina deve ser guardada na zona mais fria do frigorífico e consumida em poucos dias. Envolver bem e cobrir a superfície com a própria camada de gordura ajuda a limitar a oxidação.

Um termo que pode gerar confusão é “mi-cuit”. Não significa mal cozinhado de forma arriscada, mas sim parcialmente cozinhado, com uma temperatura interna mais baixa do que a do foie gras em conserva. Isso traduz-se numa textura mais delicada e numa vida útil mais curta - não é algo para ficar meses numa despensa.

Para quem se preocupa com segurança alimentar, usar foie gras muito fresco de uma origem fiável e respeitar tempos e temperaturas de refrigeração é mais importante do que a presença ou ausência de banho-maria. Em caso de dúvida, procure uma cozedura um pouco mais firme e consuma a terrina rapidamente, em vez de a guardar por muito tempo.

Para lá do Natal, esta técnica “atalho” pode ser reutilizada na Passagem de Ano ou num jantar de inverno. Depois de a experimentar uma vez, o fator medo baixa e pode começar a ajustar: outro vinho doce, um toque de Armagnac ou uma mistura de especiarias. A ideia-base mantém-se: o micro-ondas não serve apenas para aquecer sobras - pode, discretamente, transformar um ingrediente de luxo numa peça central caseira e acessível.

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