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Nem natação nem Pilates: a melhor atividade para quem tem dores nos joelhos.

Pessoa a caminhar num parque, usando bengala e joelheira, segurando uma garrafa de água.

A sala de espera estava cheia de pessoas em roupa de desporto, mas ninguém parecia prestes a correr uma maratona. Uma mulher na casa dos cinquenta esfregava lentamente o joelho por cima das calças de ganga, fazendo uma careta sempre que se ajeitava na cadeira. Ao lado dela, um rapaz mais novo com um casaco de ciclismo deslizava o dedo no telemóvel, com uma joelheira a espreitar por baixo dos calções. A porta da fisioterapeuta abriu-se, e toda a gente fez aquele mesmo movimento rígido de meio levantar, meio careta - o que se vê quando os joelhos já não colaboram como antes.

Lá fora, os cartazes gritavam: “Experimente nadar!”, “Faça Pilates!”, “Mantenha-se ativo!”. Cá dentro, as pessoas sussurravam a verdadeira pergunta.

“O que é que eu posso realmente fazer que não doa?”

Há uma resposta que aparece cada vez mais nos consultórios de medicina desportiva.
E não, não é a piscina.

Porque é que caminhar está, discretamente, a tornar-se o melhor aliado do joelho

Se ouvir médicos, fisioterapeutas e treinadores que lidam com pessoas lesionadas todos os dias, uma palavra simples continua a surgir: caminhar. Não a marcha rápida com espírito de competição. Apenas caminhar - regular, com ritmo, de forma intencional. Daquele tipo que não parece heroico no Instagram, mas que muda a forma como o seu joelho se comporta semana após semana.

Nadar e Pilates soam mais sofisticados. Parecem estratégias de reabilitação “a sério”. Caminhar? Parece quase básico demais para ser levado a sério.

No entanto, muitos especialistas colocam-no agora no topo da lista para joelhos com dor.
Não é vistoso - é eficaz.

Veja-se o caso da Sophie, 47 anos, corredora de longa data que passou a ser a pessoa do “nem consigo descer escadas” depois de uma tentativa falhada de voltar a correr. A ressonância magnética mostrou osteoartrose inicial e cartilagem irritada. O médico de medicina desportiva podia ter prescrito repouso ou dito para se inscrever em aqua-bike. Em vez disso, deu-lhe um objetivo muito modesto: 10 minutos de caminhada por dia, em terreno plano, a um ritmo confortável, durante duas semanas.

Ela riu-se ao início. Dez minutos pareceu quase insultuoso após anos a fazer corridas de 10 km. Ainda assim, no final da segunda semana, a dor matinal tinha diminuído. Ao fim de um mês, já fazia 25 minutos, conseguia estar mais tempo de pé no trabalho e já não temia os corredores do supermercado.

O grande regresso dela não aconteceu numa piscina nem num estúdio de Pilates.
Aconteceu no passeio perto de casa.

Há uma razão simples para a caminhada funcionar tão bem. O joelho adora movimento, mas detesta choques e caos. Caminhar carrega a articulação de forma suave e repetitiva, o que lubrifica a cartilagem e fortalece os músculos que estabilizam tudo à volta. Ganha-se circulação, coordenação e stress progressivo - sem os impactos brutais da corrida ou dos saltos.

A natação remove quase toda a carga, o que sabe maravilhosamente no momento, mas pode deixar os joelhos despreparados para a vida real. O Pilates pode ser excelente, mas muitas aulas incluem discretamente flexões profundas ou posições mais exigentes que, sem dar por isso, irritam articulações já sensíveis.

Caminhar acerta naquele ponto ideal entre “demasiado” e “insuficiente”.
Ensina o seu joelho a voltar a viver no mundo real.

Como caminhar para o seu joelho realmente melhorar - e não piorar

O segredo não é caminhar “mais”. O segredo é caminhar “bem” para o estado em que o seu joelho está hoje. Comece por escolher o terreno mais fácil possível: passeio plano, trilho de parque, corredor de centro comercial se o tempo estiver mau. Procure um ritmo em que consegue falar sem ficar sem fôlego, mas em que ainda sente que está a avançar com intenção.

Comece com algo que pareça quase ridiculamente fácil. Cinco, dez, talvez doze minutos. Não trinta. Não uma hora só porque está motivado. A primeira semana serve para reconstruir confiança entre o seu cérebro e o seu joelho.

Se a dor subir acima de 4 em 10 e se mantiver, foi longe demais.
No dia seguinte, reduza. Aqui, o seu ego não é o treinador.

A grande armadilha é o pensamento do tudo-ou-nada. Num dia bom, sente menos dor e, de repente, está a fazer marcha rápida em subidas como um olímpico. Dois dias depois, o joelho está quente, inchado, e você conclui que caminhar “não funciona”.

A evolução com joelhos raramente é linear. Há dias em que se sentem soltos, outros em que parecem dobradiças enferrujadas. Nas manhãs mais difíceis, manter a sessão curta - mas fazê-la na mesma - pode ser mais importante do que perseguir distância. A consistência vence o heroísmo quando as articulações já estão cansadas de serem empurradas ao limite.

E sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias sem falhar. A vida mete-se pelo meio, a dor brinca com a motivação e, às vezes, o sofá ganha. Isso não anula os benefícios. Só significa que recomeça amanhã, a partir de onde estiver.

Para caminhar de forma a apoiar realmente os joelhos, a maioria dos fisioterapeutas insiste em três pilares: regularidade, suporte muscular e atenção aos sinais de alerta precoces.

“Pense na caminhada como medicação para os seus joelhos”, explica a fisioterapeuta desportiva Laura Mendes. “A dose importa. Pouca dose e não muda nada. Dose a mais e desencadeia uma crise. A dose certa, repetida ao longo do tempo, muda a forma como a articulação se comporta.”

  • Comece com caminhadas curtas e planas - 5 a 15 minutos, 4 a 6 vezes por semana.
  • Aumente apenas uma coisa de cada vez - ou a duração ou a velocidade, não ambas.
  • Adicione trabalho ligeiro de força - movimentos simples como mini-agachamentos ou elevações de perna sentado em dias com pouca dor.
  • Use ligeiro desconforto como guia - dor leve que desaparece em 24 horas é, em geral, aceitável.
  • Pausa e reinício se surgir inchaço, claudicação (coxear) ou dor aguda e não aliviar rapidamente.

Caminhar como um pacto de longo prazo com os seus joelhos

Caminhar não dá o “uau” imediato de uma boa sessão de natação ou de uma aula de Pilates perfeitamente orientada. Dá algo mais silencioso e, a longo prazo, mais precioso: uma forma de paz negociada com o seu próprio corpo. Aprende até onde pode ir sem entrar em crise, nota quais as superfícies que lhe assentam melhor, os sapatos que ajudam, a hora do dia em que o seu joelho se comporta melhor.

Passo após passo, mapeia os seus limites reais em vez daqueles que o medo lhe sussurra ao ouvido. Alguns dias vai apetecer acelerar; noutros, vai agradecer apenas conseguir ir até à esquina e voltar. Ambos contam.

Para alguns, caminhar será uma ponte de regresso à corrida, à dança ou às caminhadas na natureza. Para outros, será simplesmente a atividade principal que impede a dor de ocupar todo o espaço.

De qualquer forma, cada pequena caminhada é um voto que dá ao futuro dos seus joelhos.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Caminhar é uma das melhores escolhas para joelhos com dor Baixo impacto, carga do “mundo real”, fortalecimento gradual dos músculos e suporte à cartilagem Perceber porque é que um hábito simples pode superar atividades mais complexas como natação ou Pilates
Começar pequeno e progredir devagar Iniciar com 5–15 minutos em terreno plano, aumentar apenas uma variável de cada vez Reduzir crises e frustração; manter controlo sobre a dor em vez de a perseguir
Combinar caminhada com força básica Exercícios leves para coxas, ancas e glúteos em dias de pouca dor Estabilizar melhor o joelho, ganhar confiança e mover-se com mais segurança no dia a dia

FAQ:

  • Caminhar é mesmo melhor do que nadar para dor no joelho? Nem sempre “melhor”, mas muitas vezes mais útil a longo prazo. A natação descarrega quase completamente a articulação, o que é ótimo, mas não prepara os joelhos para a vida diária em terra. Caminhar mantém uma carga suave e controlada na articulação, o que ajuda a cartilagem e os músculos a adaptarem-se.
  • Quanto devo caminhar se me doem os joelhos? Comece com uma duração que conseguiria fazer mesmo num dia mau: 5 a 15 minutos em terreno plano. Mantenha o mesmo tempo durante uma semana; depois, acrescente 3–5 minutos se a dor se mantiver ligeira e não piorar no dia seguinte.
  • E se o joelho doer durante a caminhada? Um desconforto leve e surdo, que se mantenha abaixo de 4/10 e desapareça em 24 horas, é muitas vezes aceitável. Dor aguda e lancinante, inchaço ou claudicação são sinais de alerta para parar, descansar e consultar um profissional.
  • Preciso de sapatos especiais para proteger os joelhos? Não precisa dos mais caros, mas precisa de um par confortável, com bom amortecimento e suporte. Substitua solas muito gastas e evite sapatos rígidos e rasos em caminhadas mais longas.
  • Caminhar pode adiar ou evitar cirurgia ao joelho? Para algumas pessoas com osteoartrose ligeira a moderada ou dor recorrente, caminhar regularmente e fazer trabalho de força pode reduzir os sintomas o suficiente para adiar cirurgia. Não “repara” a cartilagem danificada, mas pode melhorar significativamente o funcionamento da articulação e a dor no dia a dia.

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