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"Estão completamente fora de moda": especialistas aconselham evitar estes cortes de cabelo "à avó" depois dos 50 anos.

Mulher idosa a cortar o cabelo em frente ao espelho numa sala com plantas e palete de cores ao lado.

A cabeleireira rodou a cadeira e ela ficou gelada. O corte estava perfeito… para a mãe dela. Curto, arredondado em “capacete”, franja rígida pulverizada no sítio. O tipo de penteado que se vê num domingo no salão de bingo, não numa inauguração de galeria nem numa escapadinha de cidade. Ela sorriu com educação, mas os ombros desceram-lhe um pouco no espelho. A estilista tinha “jogado pelo seguro” porque ela acabara de fazer 53 anos. Tradução: corte automático de avó.

Esta cena acontece todos os dias nos salões. Depois dos 50, demasiadas mulheres são empurradas, em silêncio, para os mesmos três ou quatro cortes “maduros”. São práticos, sim. Mas também podem envelhecer um rosto dez anos.

Que cortes é que os especialistas dizem para evitar… e o que os deve substituir?

Estes cortes “de avó” que, em segredo, acrescentam dez anos

Os especialistas em cabelo são unânimes: alguns estilos vêm com um rótulo de idade incorporado. O primeiro da lista é o corte curto arredondado, tipo capacete. Sabe qual é: comprimento uniforme à volta de toda a cabeça, franja pesada, pontas viradas para dentro como uma tigela. Foi chique nos anos 80. Com as câmaras dos telemóveis de hoje e à luz natural, endurece os traços e achata a personalidade.

O outro grande culpado é o pixie ultra-curto e rígido, sem suavidade nem textura. No papel, é de baixa manutenção. Numa cabeça real, pode colar ao couro cabeludo, enfatizar zonas de rarefação e exagerar cada linha na testa. Como uma colorista me disse, em off: “É a forma mais rápida de pareceres a tua própria tia.”

Depois vem a “cortina” longa e lisa, cinzenta, com risca ao meio certinha e nunca verdadeiramente penteada. Os especialistas não culpam o cinzento. Culpam a forma. O cabelo que cai em dois painéis pesados de cada lado do rosto puxa o olhar para baixo, sobretudo se as pontas estiverem secas. Pode fazer com que até olhos vivos pareçam cansados.

Os estilistas também apontam para a clássica “permanente de caniche”: caracóis apertados e uniformes por todo o lado, cortados numa bolha redonda perfeita. Em comprimentos mais curtos, essa bola de caracol tende a expandir para os lados, não para baixo. O resultado? Uma silhueta larga que faz o rosto parecer mais pequeno e mais velho, como uma fotografia escolar de 1979. Quase nunca é essa a intenção.

Porque é que estes cortes nos envelhecem tanto? Os especialistas dizem que não é só uma questão de moda. É uma questão de arquitetura. Capacetes arredondados, pixies rígidos e permanentes de caniche apagam o movimento e o contraste naturais. Retiram suavidade à linha do cabelo, “congelam” o volume no sítio errado e expõem zonas de recuo junto às têmporas.

À medida que a pele perde elasticidade, a luz precisa de pequenas “escapatórias” no cabelo: mechas leves, linhas diagonais, camadas suaves. Quando um corte cria uma moldura dura à volta do rosto, cada sinal de cansaço fica sublinhado. Um corte desatualizado transforma-se num marcador fluorescente em tudo o que preferia manter discreto.

Como atualizar o corte depois dos 50 sem perder quem é

O método que volta, vezes sem conta, entre bons estilistas é simples: pensar em “movimento e suavidade”, não em “curto e seguro”. Em vez de um bob em capacete, sugerem um bob ligeiramente descontraído: pontas não perfeitamente alinhadas, camadas subtis à volta do rosto, talvez uma franja macia varrida para o lado. O comprimento continua a ser prático - só não fica colado ao maxilar como uma bola de bowling.

Para quem gosta de cabelo curto, os especialistas recomendam pixies com textura e alguma altura no topo, e laterais mais leves. Algumas mechas mais compridas junto à testa, cortadas na diagonal, podem desfocar linhas de expressão e levantar o olhar. Um cabeleireiro francês resumiu bem: “Depois dos 50, nada deve parecer desenhado com uma régua.”

O maior erro que veem é cortar drasticamente mais curto por medo. Medo de queda, medo de “estar a esforçar-se demais”, medo dos comentários dos outros. Muitas mulheres entram no salão a dizer: “Faça o que quiser, já sou velha mesmo.” Os estilistas especializados em cabelo maduro dizem que essa frase lhes parte o coração.

Já todos estivemos nesse ponto: um aniversário ou um novo trabalho e, de repente, começamos a duvidar do que é “apropriado”. A verdade é que o “apropriado” mudou. Um lob suave, camadas arejadas, uma franja descontraída - tudo isto é normal em mulheres nos 50, 60, 70. A única regra real é que você, no espelho, se reconheça e se sinta atual - não arquivada.

“Depois dos 50, um bom corte não esconde a sua idade”, diz a estilista londrina Emma R., que trabalha sobretudo com clientes com mais de 45. “Ele enquadra-a, apoia-a, celebra-a. O meu trabalho é retirar os códigos que dizem ‘avó’ e manter apenas os códigos que dizem ‘mulher, ponto final’.”

Para evitar a armadilha do antiquado, os profissionais costumam guiar as clientes por uma checklist simples:

  • O meu corte cria linhas duras e rígidas à volta do rosto?
  • O volume está concentrado nos lados em vez de ligeiramente no topo?
  • As minhas pontas estão secas, finas ou a formar um formato triangular?
  • Sinto necessidade de “arranjar” o cabelo com spray pesado só para sair?
  • Um desconhecido adivinharia que sou mais velha apenas pelo meu corte?

Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias. Ainda assim, passar por estas perguntas antes da próxima marcação pode ajudá-la a dizer não àquele corte demasiado curto ou àquela “permanente prática” anual que nunca lhe assentou realmente bem.

Uma nova história no espelho, em qualquer idade

Afastar-se dos cortes “de avó” raramente é apenas uma questão estética. É recusar a mensagem silenciosa de que, depois dos 50, o estilo acabou e a conveniência ganha por defeito. As mulheres que saem do salão com um bob moderno, um shag suave ou um pixie leve e saltitante falam menos sobre parecer mais novas e mais sobre voltarem a sentir-se elas mesmas. Dizem que a roupa, de repente, faz sentido. O batom fica certo. A postura muda.

O cabelo não vai reescrever toda a sua vida, mas pode editar suavemente a história que conta ao mundo quando entra numa sala. Talvez a verdadeira pergunta não seja “Que corte me faz parecer mais nova?”, mas “Que forma faz o meu eu de hoje parecer vivo?” Se isto lhe acender uma pequena comichão de curiosidade quando apanha o seu reflexo, isso já é o início de um novo capítulo - um corte, uma madeixa, um corajoso “Não, desta vez não quero o corte habitual de avó” de cada vez.

Ponto-chave Detalhe Valor para a leitora
Evitar cortes rígidos, redondos tipo “capacete” Congelam o volume ao nível do maxilar e endurecem os traços Ajuda a evitar um aspeto visualmente mais pesado e envelhecido
Escolher movimento e suavidade Bobs em camadas, pixies texturizados e franjas suaves elevam e aliviam Dá um ar mais fresco e dinâmico sem mudanças drásticas
Usar uma checklist de especialista antes de cortar Questionar linhas duras, volume pesado nos lados e excesso de styling Dá-lhe confiança para discutir opções modernas com o seu cabeleireiro

FAQ:

  • Que corte envelhece mesmo uma mulher com mais de 50?
    O bob clássico em “capacete” - mesmo comprimento à volta, pontas viradas para dentro, muitas vezes com franja pesada - é dos que mais envelhecem, porque cria uma moldura rígida e enfatiza o maxilar e o pescoço.
  • Posso manter o cabelo comprido depois dos 50 sem parecer desatualizada?
    Sim, desde que tenha forma e movimento: camadas suaves, pontas mais leves e algum enquadramento do rosto. Cortinas de cabelo muito lisas e pesadas tendem a puxar os traços para baixo.
  • As permanentes são sempre má ideia depois dos 50?
    Não necessariamente. Permanentes “de caniche”, apertadas e uniformes, parecem datadas, mas caracóis maiores e suaves ou ondas que imitam textura natural podem favorecer muito quando combinados com um corte moderno.
  • O que devo dizer ao meu cabeleireiro para evitar um corte “de avó”?
    Diga que quer suavidade, textura e movimento, não uma forma redonda ou ultra-apertada. Leve uma foto de referência de mulheres da sua idade com cortes modernos e insista em manter algum comprimento à volta do rosto.
  • Com que frequência devo atualizar o corte nesta idade?
    A maioria dos especialistas sugere refrescar a forma a cada 6–8 semanas e repensar o estilo geral de poucos em poucos anos, para que o corte evolua com o rosto, o estilo de vida e a textura do cabelo.

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