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Um hidratante clássico, longe das marcas de luxo, é eleito por dermatologistas como a melhor escolha.

Mãos aplicando creme hidratante em ambiente de spa, com toalha, espelho e planta ao fundo.

O frasco estava ali na prateleira da farmácia, baixo e um pouco empoeirado, espremido entre séruns brilhantes que prometiam “pele de vidro” e um creme de colagénio que custa mais do que um jantar a dois. Um boião branco e espesso, logótipo azul, sem tampa rose gold, sem uma influencer angelical na caixa de cartão. Provavelmente já passou por ele cem vezes sem sequer virar a embalagem para ler o rótulo.

Nesse dia, porém, as coisas “de luxo” estavam trancadas num armário, e dois dermatologistas apontavam discretamente para o boião antigo enquanto uma jovem se queixava das bochechas irritadas e da conta bancária vazia. Sem parceria de marca, sem filtro do TikTok. Apenas um creme barato que quase não mudou em décadas.

Acontece que este hidratante esquecido está, silenciosamente, a ganhar a única competição que interessa.

O creme humilde que os dermatologistas realmente usam em casa

Pergunte a um grupo de dermatologistas que hidratante levariam para uma ilha deserta e vai reparar numa coisa: a maioria não escolhe o luxuoso que aparece nos anúncios do aeroporto. Falam de um creme sem fragrância, de farmácia, em boião ou bisnaga simples - do género que a sua avó talvez tivesse ao lado do lavatório.

Não é sexy. Não é fotogénico. Mas funciona.

Este hidratante “à moda antiga” tornou-se uma espécie de piada interna nas clínicas: o produto que toda a gente recomenda, mas que ninguém publica no seu #shelfie. Para doentes com pele sensível, propensa a eczema, ou pele pós-tratamento, ativos “sofisticados” e géis perfumados muitas vezes fazem mais mal do que bem. Um creme simples, oclusivo, que respeita a barreira cutânea? Esse é o herói silencioso.

Imagine uma terça-feira típica numa sala de espera cheia. Um adolescente com acne inflamada, uma mãe recente com pálpebras a descamar, um homem de cinquenta e tal cuja cara arde sempre que se barbeia. Idades diferentes, histórias diferentes - e, no entanto, o conselho do dermatologista volta sempre à mesma solução sem floreados.

Uma dermatologista em Londres admite que compra o boião grande de 500 ml de um creme básico e usa-o no rosto, nas mãos, nos cotovelos e até nas bochechas dos filhos no inverno. Outra, em Nova Iorque, diz que o armário da casa de banho dela tem mais fórmulas de farmácia do que de luxo, apesar de as marcas lhe enviarem PR quase todas as semanas.

Inquéritos em dermatologia confirmam isto: quando se pergunta a especialistas qual o hidratante favorito, alguns nomes clássicos aparecem repetidamente no topo, muito à frente dos séruns “da moda”. Isto não é marketing. É hábito, formado ao longo de milhares de doentes.

Há um motivo simples para isto acontecer. A principal função da sua pele é manter o mundo lá fora e o que está dentro cá dentro. Quando essa barreira é perturbada por demasiados ativos, esfoliantes, máscaras e perfumes, até um creme caro pode arder imenso. Hidratantes básicos, construídos em torno de ingredientes como glicerina, petrolato (vaselina) e ceramidas, não tentam fazer tudo. Limitam-se a hidratar e a selar.

É exatamente isso que uma barreira cutânea comprometida está a pedir.

Por isso, enquanto perseguimos rotinas de muitos passos e ingredientes “milagrosos”, os dermatologistas vão buscar, em silêncio, o creme aborrecido que repõe o equilíbrio. Aquele que não formiga, não brilha na câmara, mas impede que a sua cara “grite” quando sai para o vento.

Como usar um creme “à moda antiga” como um profissional (e não como o seu tio)

A magia não está só na fórmula - está na forma como o aplica. Pense neste hidratante clássico como o casaco de inverno da sua pele. Funciona melhor com a pele ligeiramente húmida, por isso o primeiro passo é simples: limpe suavemente, seque o rosto com uma toalha aos toques e pare quando ainda estiver um pouco orvalhado.

Depois, retire uma quantidade do tamanho de uma ervilha com dedos limpos, aqueça entre as mãos e pressione no rosto, em vez de espalhar com agressividade. Concentre-se primeiro nas zonas mais secas: à volta do nariz, bochechas e ao longo da linha do maxilar.

À noite, os dermatologistas costumam aplicar uma camada mais generosa, criando uma espécie de “slug” leve por cima dos produtos de tratamento, para reter a hidratação e acalmar uma possível irritação. Não fica glamoroso na fronha, mas o espelho de manhã agradece em silêncio.

É aqui que, normalmente, as pessoas exageram. Combinam um creme clássico espesso com geles de limpeza agressivos e espumantes, esfoliantes granulados e três ácidos diferentes “para acelerar”. Depois culpam o hidratante quando aparece vermelhidão.

Todos já passámos por isso: aquele momento em que adiciona um produto a mais e, de repente, o rosto parece lixa. A verdade é que um creme clássico funciona melhor numa rotina simples: um produto de limpeza suave, possivelmente um único ativo (como niacinamida ou algo prescrito pelo dermatologista) e, depois, o hidratante.

Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias sem falhar. Saltamos o protetor solar, esfoliamos demais antes de um evento, testamos amostras por impulso. É precisamente por isso que ter um creme estável e “aborrecido” na rotina é o travão de emergência da sua pele.

Os dermatologistas soam quase aliviados quando falam destas fórmulas. Sem drama, sem instruções complicadas - só consistência.

“Dêem-me um creme básico, sem fragrância, em vez de um boião de luxo com dez perfumes e três tendências lá dentro”, diz a Dra. Lena Ortiz, dermatologista certificada. “Quando a minha própria pele entra em crise, volto ao hidratante mais simples que consigo encontrar. Os doentes não acreditam até verem quão depressa a vermelhidão acalma.”

  • Procure listas de ingredientes curtas com palavras que consiga mais ou menos pronunciar: glicerina, petrolato, ceramidas, esqualano.
  • Evite fragrâncias intensas e óleos essenciais se a sua pele reage facilmente, mesmo que a embalagem pareça “natural”.
  • Teste cremes novos numa pequena zona do pescoço durante algumas noites antes de os aplicar em todo o lado.
  • Use uma camada separada e generosa à noite nos cantos da boca e à volta do nariz, onde a irritação adora começar.
  • Mantenha um hidratante principal durante pelo menos 3–4 semanas antes de o declarar um fracasso. A pele precisa de tempo para acalmar.

Porque é que este creme “aborrecido” parece estranhamente radical agora

Há algo quase rebelde em escolher um boião simples em vez de um frasco de vidro brilhante com uma celebridade por trás. Num mundo em que as prateleiras da casa de banho “devem” parecer boutiques curadas, usar silenciosamente o mesmo creme de farmácia todas as noites é como desistir de um jogo ao qual nunca aceitou realmente jogar.

Isto não quer dizer que a cosmética de luxo não tenha lugar. Quer dizer que a hierarquia que aprendemos - “caro é melhor” - está a rachar um pouco sob o peso da experiência real. Quando a pele está zangada, stressada, ou simplesmente cansada de experiências, o produto a que reage melhor costuma ser aquele que não precisa de uma campanha publicitária.

Da próxima vez que passar pela farmácia ou supermercado, repare como o seu olhar vai automaticamente para embalagens brilhantes e promessas coloridas. Depois deixe-o descer, até aos boiões clássicos e bisnagas brancas “clínicas” com letras pequenas. Algures nessa prateleira está o creme em que os dermatologistas confiam em segredo quando tudo o resto falha.

Talvez já o tenha em casa. Ou cresceu com ele e descartou-o quando descobriu séruns e ácidos. Seja como for, o vencedor silencioso da corrida dos hidratantes provavelmente não vai aparecer no seu feed. Vai apenas ficar ali, à espera do momento em que decidir que conforto, fiabilidade e um rosto calmo importam mais do que um boião bonito junto ao lavatório.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Fórmulas centradas na barreira cutânea Cremes clássicos focam-se em hidratação e proteção com ingredientes como glicerina, petrolato e ceramidas Reduz irritação e apoia a saúde da pele a longo prazo
Rotinas simples funcionam Limpeza suave + hidratante básico supera rotinas sobrecarregadas e agressivas para a maioria das peles sensíveis Menos borbulhas, menos vermelhidão, menor gasto em produtos
Preço ≠ eficácia Dermatologistas usam e recomendam frequentemente cremes acessíveis, sem perfume, de farmácia Dá permissão para escolher função em vez de estatuto e poupar dinheiro

FAQ:

  • Pergunta 1 Qual é o hidratante “à moda antiga” de que os dermatologistas costumam estar a falar?
  • Pergunta 2 Um creme básico pode mesmo substituir o meu hidratante anti-idade caro?
  • Pergunta 3 Este tipo de hidratante é adequado para pele oleosa ou com tendência acneica?
  • Pergunta 4 Posso usar o mesmo creme no rosto e no corpo?
  • Pergunta 5 Quanto tempo devo esperar para ver se esta rotina mais simples está a funcionar?

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