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Os penteados após os 60 estão a mudar, e cabeleireiros afirmam que este corte é agora o mais rejuvenescedor e favorecedor.

Mulher sorrindo enquanto cabeleireiro ajusta cabelo num salão, com produtos em fundo.

A conversa no salão calou-se no segundo em que a capa lhe caiu sobre os ombros. Tinha 67 anos, raízes prateadas à vista, e usava aquele rabo de cavalo ligeiramente derrotado a que tantas de nós recorremos quando já não sabemos muito bem o que fazer ao cabelo. A cabeleireira passou um pente ao longo do comprimento, fez uma pausa e disse, baixinho: “Vai sair daqui a parecer dez anos mais nova, sem tentar parecer que tem 30.” A mulher riu-se como quem não acredita numa palavra. Quarenta minutos depois, as pessoas viraram mesmo a cabeça quando ela passou pelos espelhos a caminho da porta. Não parecia tanto “diferente” - parecia, de repente, totalmente ela própria.
É esse o ponto do corte de cabelo de que todos os cabeleireiros agora falam.

O corte depois dos 60 que muda tudo, discretamente

Pergunte a cinco cabeleireiros modernos o que resulta mesmo depois dos 60 e eles dir-lhe-ão quase a mesma coisa: o novo bob suave em camadas está a ganhar. Não o bob rígido, tipo capacete, do passado, mas uma versão descontraída, ligeiramente “despenteada”, que fica algures entre a linha do maxilar e a clavícula. Mexe-se. Tem ar. Emoldura o rosto em vez de o encolher.
É o corte a que recorrem quando uma cliente diz: “Estou cansada de parecer mais velha do que me sinto, mas não quero que ninguém diga que estou a esforçar-me demais.”

Uma cabeleireira de Paris contou-me a história da cliente Anne, 72 anos, que durante anos usou o cabelo comprido e apanhado “por praticidade”. Os filhos adultos incentivaram-na a uma mudança. Mantiveram o comprimento ligeiramente acima dos ombros, acrescentaram camadas suaves a emoldurar o rosto e abriram a franja numa cortina leve em redor dos olhos. Quando a Anne se viu, não suspirou pela cor nem pelo styling. Ficou a olhar para o reflexo e sussurrou: “Voltei a parecer eu.”
É isto que este bob moderno faz: dá espaço para os seus traços respirarem.

Há uma razão visual simples para funcionar tão bem. À medida que envelhecemos, a linha do maxilar suaviza e as bochechas perdem naturalmente algum volume. O cabelo pesado e comprido pode puxar tudo para baixo, enquanto um corte que “flutua” em torno do maxilar cria um efeito imediato de elevação. Camadas mais curtas levam a atenção para os olhos, afastando-a das zonas em que tendemos a fixar-nos ao espelho. Não se trata propriamente de perseguir juventude. Trata-se de voltar a alinhar o exterior com a energia que ainda sente por dentro.

Porque é que os cabeleireiros dizem que este bob ganha ao cabelo comprido e aos pixies

O bob suave em camadas atinge um ponto raro entre o fácil e o cuidado. Normalmente é cortado de modo a que o ponto mais comprido roçe algures entre a base da orelha e o topo dos ombros, com camadas delicadas e “invisíveis” que não se “vêem” muito, mas se sentem quando o cabelo se move. As pontas são muitas vezes ligeiramente texturadas, não rectas, o que evita um ar severo.
Algumas mulheres juntam-lhe uma franja leve e esfiada; outras preferem uma franja comprida, de lado, que se funde com as laterais.

A razão pela qual tantos cabeleireiros insistem nesta forma depois dos 60 é que ela se adapta. Tem cabelo fino e a rarear? Essas camadas subtis podem criar a ilusão de volume sem exigir uma montanha de produtos. Tem cabelo grisalho espesso e mais áspero? Um bob retira peso, mas mantém comprimento suficiente para evitar o efeito “armado”. Textura encaracolada ou ondulada? Bem cortado, este comprimento permite que os caracóis “saltem” mantendo uma moldura suave no rosto. Todas já tivemos aquele momento em que olhamos para uma foto antiga e percebemos que era o cabelo que nos “usava” - e não o contrário.
Este corte tende a fazer o oposto: apoia discretamente os seus traços.

Há também um lado psicológico de que quase ninguém fala. Cortes pixie drásticos podem soar a um reinício total de identidade, e muitas mulheres com mais de 60 simplesmente não querem isso. O cabelo muito comprido, por outro lado, pede tempo, esforço e fios fortes - que nem sempre combinam com a nova textura. O bob suave vive nesse meio-termo. Sinaliza frescura, não rebeldia. Diz: “Cuido de mim”, não “Estou a correr atrás de tendências”. Sejamos honestas: ninguém faz isto na perfeição todos os dias, mas este corte mantém um ar aceitavelmente chique mesmo nas manhãs apressadas em que só se consegue passar os dedos, dar um pouco de levantamento na raiz e sair.

Como pedir (e manter) o bob 60+ mais favorecedor

O segredo não é entrar no salão e dizer “Faça-me um bob” e esperar pelo melhor. Leve fotografias de estilos de que gosta em mulheres próximas da sua idade e aponte exactamente o que a atrai: a forma como a franja abre, a suavidade à volta do maxilar, o ligeiro ângulo de trás para a frente. Peça ao seu cabeleireiro um bob que “roce” em vez de “cortar”, com camadas leves à volta do rosto para levantar os traços.
Se quer um ar mais jovem, diga que procura movimento e suavidade, não uma linha dura e gráfica.

Em casa, este corte é indulgente, mas precisa de um pouco de atenção para brilhar. Muitas mulheres com mais de 60 estão habituadas a escovas pesadas ou a não fazer nada. Este bob vive bem no meio. Seque suavemente com toalha, aplique um spray leve de volume na raiz e seque com o secador com a cabeça inclinada para a frente para obter levantamento natural. Depois, alise apenas as pontas com uma escova ou uma passagem rápida de uma ferramenta de baixa temperatura. Evite pesar com óleos ou séruns espessos, sobretudo junto ao couro cabeludo. Um bocadinho de produto nas pontas costuma ser tudo o que é preciso para que o resultado pareça intencional, não complicado.

“Depois dos 60, o objectivo não é esconder a idade”, diz a cabeleireira londrina Maria H., que trabalha quase exclusivamente com mulheres acima dos 55. “O objectivo é suavizar as linhas que o tempo acrescenta e realçar as que contam a sua história. Um bob em camadas faz exactamente isso. Respeita o seu rosto.”

  • Peça ‘camadas suaves’ em vez de camadas muito desfiadas, para o cabelo não parecer “esfarrapado” ou ralo.
  • Mantenha o comprimento entre a linha do maxilar e a clavícula para um efeito mais levantado e rejuvenescido.
  • Considere uma franja leve e arejada se se sente insegura com linhas na testa ou quer mais suavidade.
  • Planeie cortes de manutenção a cada 6–8 semanas para a forma se manter favorecedora em vez de colapsar num triângulo.
  • Use um produto suave que realce o brilho para que o grisalho ou branco natural pareça deliberadamente luminoso, não baço.

Mais do que um corte: uma mudança discreta na forma como envelhecemos

O mais marcante, quando se fala com cabeleireiros, é que este corte “mais favorecedor” não tem realmente a ver com perseguir juventude. Tem a ver com recusar a velha regra de que as mulheres ou se escondem atrás de cabelo comprido ou se rendem a um corte ultra-curto quando chegam a certa idade. O bob em camadas depois dos 60 é uma espécie de caminho do meio, onde elegância e facilidade se sentam à mesma mesa.
Permite que o rosto em que realmente vive seja visto, sem pedir atenção aos gritos.

Muitas mulheres dizem que a verdadeira mudança é interna. Começam a andar um pouco mais direitas, a usar um batom mais ousado, a voltar aos brincos que não tocavam há anos. Algumas pessoas na sua vida limitam-se a dizer: “Cabelo giro.” Outras sentem algo mais profundo: uma clareza renovada na forma como a amiga, a irmã ou a vizinha ocupa espaço. Quer marque um grande momento no salão, quer peça à sua cabeleireira habitual que suavize e levante o que já tem, a pergunta por trás desta tendência é simples.
Como seria o seu cabelo se, finalmente, combinasse com a forma como se sente?

Ponto-chave Detalhe Valor para a leitora
O bob suave em camadas favorece depois dos 60 Comprimento entre o maxilar e a clavícula, com movimento gentil em redor do rosto Dá um efeito levantado e rejuvenescido sem tentar parecer mais nova do que é
Adaptável a diferentes tipos de cabelo Funciona em texturas finas, espessas, lisas, onduladas ou encaracoladas com pequenos ajustes Facilita imaginar como o corte poderá resultar no seu próprio cabelo
Rotina de styling fácil e realista Leve levantamento na raiz, secagem simples, um toque de produto nas pontas Ajuda a manter o look em casa sem esforço diário complicado

FAQ:

  • Pergunta 1 O bob não fica demasiado duro num rosto mais velho?
  • Resposta 1 Os bobs antigos, muito rectos, podiam ser duros, sim. O bob moderno em camadas é mais suave, com movimento à volta do maxilar e das maçãs do rosto, por isso integra-se nos traços em vez de os “cortar”.
  • Pergunta 2 Posso usar bob se o meu cabelo for muito fino e estiver a rarear?
  • Resposta 2 Sim - e pode até ser especialmente favorecedor. Peça camadas discretas e um comprimento ligeiramente mais curto; isso reduz o peso e ajuda o cabelo a parecer mais cheio, sobretudo com um pouco de produto para levantar a raiz.
  • Pergunta 3 E se eu adoro o meu cabelo comprido e não quiser perder tudo de uma vez?
  • Resposta 3 Pode fazer a transição devagar. Comece por cortar para logo abaixo dos ombros, com camadas leves a emoldurar o rosto, e mais tarde decida se quer encurtar para um bob “a sério”.
  • Pergunta 4 Tenho de pintar o cabelo para este corte parecer mais jovem?
  • Resposta 4 De forma nenhuma. Esta forma fica lindíssima em cabelo grisalho e branco natural. Um gloss ou um tratamento de brilho pode realçar a sua cor natural sem compromisso com uma coloração total.
  • Pergunta 5 Com que frequência preciso de aparar para manter a forma?
  • Resposta 5 A cada 6–8 semanas é o ideal para a maioria das pessoas. Assim mantém as linhas limpas e as pontas saudáveis, para que o bob conserve o efeito de elevação em vez de perder a forma.

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