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O Lidl vai lançar um gadget de inverno aprovado por Martin Lewis, prometendo reduzir contas, mas gerando discussão se é mesmo uma ajuda ou apenas mais uma jogada de marketing.

Três pessoas sentadas na sala a mexer num dispositivo eletrônico. Caneca do Lidl sobre a mesa de madeira.

O primeiro sinal de que o inverno está mesmo a chegar ao Reino Unido este ano não é a geada no carro nem o bafo no ar da manhã. É a fila que serpenteia em silêncio à porta do Lidl às 7h45, gente enfiada em hoodies e parkas antigas, olhos no telemóvel, à espera que as portas automáticas se abram. A palavra espalhou-se por grupos de Facebook, conversas de WhatsApp e comentários no TikTok: o supermercado discount está prestes a lançar um gadget de inverno “apoiado pelo Martin Lewis” que promete cortar as contas e manter as salas bem quentinhas sem tocar no termóstato.

Ninguém tem a certeza se está prestes a garantir uma tábua de salvação para o custo de vida ou se vai cair no truque de marketing mais engenhoso da estação.

A palete de cartão nem sequer tocou no chão e a discussão já começou.

A mais recente obsessão do corredor do meio do Lidl: herói barato ou hype?

O gadget em causa é a versão do Lidl da moda dos aquecedores portáteis de baixo consumo e das mantas aquecidas que varreu o Reino Unido desde que os preços da energia dispararam. Um aparelho compacto de ligar à tomada ou uma manta grossa, forrada a lã sintética, que promete calor “por cêntimos por hora”, coberta de autocolantes amarelos de preço e com uma referência subtil ao tipo de conselhos tantas vezes ouvido no The Martin Lewis Money Show. A ideia é sedutoramente simples: aquecer a pessoa, não a casa.

No TikTok, vídeos curtos mostram pessoas a desembalar o gadget em apartamentos apertados, casas de estudantes, moradias geminadas frias com caldeiras a chiar. Filmam o monitor de eletricidade a subir em cêntimos, não em libras. As legendas gritam: “Como é que ninguém nos disse isto antes?”

Numa moradia geminada nos arredores de Leeds, Jenna, mãe solteira de 42 anos, já decidiu que vai comprar dois. No inverno passado, deixou quase por completo de usar o aquecimento central, encolhida debaixo de mantas com os filhos e a contar os dias até chegar a fatura. Este ano, viu capturas de ecrã do Martin Lewis a lembrar os espectadores de que pôr a trabalhar um pequeno aquecedor elétrico durante uma hora pode custar menos do que ligar o sistema de uma casa inteira.

Por isso, quando o Lidl insinuou uma versão económica no corredor do meio, Jenna pôs um alarme. Fez as contas no telemóvel, confirmou no contador inteligente, viu três reviews no YouTube de tipos aleatórios em barracões. “Se isto mantiver a sala quente para a noite de cinema sem termos de ligar o gás”, diz ela, “vale cada cêntimo.”

A discussão começa quando o irmão, Tom, entra no grupo de WhatsApp da fila do Lidl. É o cético da família, o que denuncia “conversa de marketing” antes sequer de abrir o link. Envia uma captura do wattagem do gadget, faz um círculo nas letras pequenas e compara com o custo de uma caldeira a gás moderna e eficiente.

Ele aponta que, se acabas por comprar dois ou três destes gadgets, ou por os deixar ligados durante horas todos os dias, as poupanças rapidamente ficam pouco claras. “Continuas a pagar eletricidade”, escreve ele. “Não é magia, é física.” Esta tensão é exatamente o que se sente em todo o país: uma mistura de esperança, medo e aquela suspeita persistente de que a pechincha pode não ser tão barata como parece.

Como este truque “à Martin Lewis” funciona, de facto, em casas reais

O princípio básico por detrás do gadget de inverno do Lidl é algo que especialistas em poupança têm repetido discretamente há anos. Em vez de disparar o aquecimento central para todas as divisões, concentra o calor exatamente onde as pessoas estão sentadas ou a dormir. Um aquecedor ligado à tomada apontado à secretária. Uma manta aquecida sobre os joelhos no sofá. Um aparelho pequeno e eficiente na divisão onde toda a gente se junta ao fim do dia.

Usado assim, o gadget pode mesmo reduzir custos para agregados que, de outra forma, aquecem a casa toda por defeito. A chave é tratá-lo como uma intervenção cirúrgica, não como um novo aparelho de fundo a zumbir o dia inteiro em três divisões diferentes.

O problema surge quando as pessoas o rotulam mentalmente como “calor barato” e depois deixam de controlar como o estão a usar. Já todos passámos por isso: aquele momento em que compras algo que promete arrumar a tua vida e, duas semanas depois, está apenas ligado num canto enquanto fazes scroll no telemóvel.

Alguns agregados ligam o aquecedor no quarto de hóspedes “só para tirar o frio”, depois esquecem-se, assumindo que quase não custa nada. Outros colocam uma manta aquecida sobre o sofá e deixam-na ligada todas as noites das 17h à meia-noite porque sabe bem. É aí que a mensagem de marketing sobre poupar dinheiro se transforma discretamente numa fatura de eletricidade mais alta, que ninguém viu chegar.

Nos fóruns de energia e nos grupos de Facebook vê-se a divisão em tempo real. Um comentador gaba-se de ter cortado £40 numa fatura mensal ao passar para aquecimento elétrico localizado. Outro responde que os custos subiram depois de comprar três gadgets, apesar de usar menos a caldeira. A verdade está, desconfortavelmente, algures no meio.

“O Martin Lewis sempre foi claro”, diz a analista de energia Priya Shah. “Gadgets elétricos não são produtos milagrosos. Só poupam dinheiro quando os usas em vez de algo mais caro, não como uma camada extra de conforto por cima.”

  • Verifica a potência (W): Um aparelho de 500 W custa, em regra, cerca de metade para funcionar do que um aquecedor de 1.000 W no mesmo período.
  • Usa uma tomada inteligente ou um medidor: ver o consumo em tempo real acaba com o “devem ser só uns cêntimos”.
  • Escolhe uma zona quente: sala ou quarto, não todas as divisões.
  • Define limites de tempo: rajadas de 30–60 minutos, não “ligado a noite toda, só por via das dúvidas”.
  • Compara com o gás: por vezes, uma curta utilização do aquecimento central ainda fica mais barato para uma família inteira.

Esperança, hype e a discussão silenciosa que acontece nas salas britânicas

A carga emocional à volta do novo “herói” de inverno do Lidl não tem propriamente a ver com o gadget. Tem a ver com pessoas que passaram o ano passado a tremer em casa, de hoodie vestido, ou a ver os débitos diretos engolirem metade do salário, e que agora estão desesperadas por sentir nem que seja um pouco mais de controlo. Um dispositivo de £24,99, colocado ao lado das bolachas e dos brinquedos para cães, parece algo que dá para fazer hoje.

Sejamos honestos: ninguém se senta com folhas de cálculo e preços por kWh todos os dias. As pessoas compram aquilo de que os amigos falam, o que o TikTok lhes mostra repetidamente, o que um especialista de confiança menciona uma vez num programa de televisão numa noite de terça-feira.

Então, o novo gadget de inverno do Lidl é uma salvação ou uma jogada de marketing? A verdade simples e desconfortável é que pode ser as duas coisas ao mesmo tempo. Para alguém como a Jenna, usando-o como fonte de calor localizada ao serão enquanto a caldeira fica desligada, pode significar menos faturas assustadoras e pés mais quentes para as crianças. Para o irmão, que já tem um sistema bem afinado e vive numa casa melhor isolada, o mesmo gadget seria apenas mais uma caixa de plástico a consumir discretamente da rede.

A discussão no centro desta história é, na verdade, sobre confiança. Confiança nos supermercados, confiança em nomes de marca, confiança em especialistas celebridades cujas palavras são cortadas e recicladas em cartazes e etiquetas de produto.

À volta de mesas de família e em salas de pausa, as pessoas já estão a trocar veredictos. “Mudou o jogo”, diz um colega que vive num apartamento pequeno e trabalha a partir de casa. “Burla total”, resmunga outro, abanando a fatura mais recente como prova. O espaço entre estas duas experiências é onde este inverno será decidido, uma compra discreta de cada vez.

Se o gadget do Lidl se torna a “tábua de salvação” indispensável da estação ou uma compra por impulso esquecida no fundo do armário dependerá menos das promessas na caixa e mais de quão cuidadosamente - e conscientemente - o ligamos à tomada… e do que desligamos em troca.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
O calor localizado supera aquecer a casa toda Usa o gadget do Lidl apenas na divisão onde estás, como substituto do aquecimento central, não como bónus Potencial real de reduzir faturas sem sacrificar conforto
Os hábitos de utilização importam mais do que o preço Controlar a potência e o tempo de uso impede que um gadget “barato” se torne um hábito caro Protege-te de choques na fatura depois da primeira semana de entusiasmo
Nem todas as casas vão poupar dinheiro Casas bem isoladas com caldeiras eficientes podem ganhar pouco com aparelhos elétricos extra Ajuda-te a decidir se vale a pena ir para a fila do Lidl ou ignorar o hype

FAQ:

  • Pergunta 1 O Martin Lewis recomenda oficialmente o gadget de inverno do Lidl?
  • Resposta 1 O Martin Lewis não recomenda produtos específicos de supermercados. O conselho dele é sobre o princípio: o aquecimento elétrico localizado pode ser mais barato do que aquecer a casa toda em algumas situações. O marketing do Lidl apoia-se nessa ideia, não numa recomendação formal.
  • Pergunta 2 O gadget do Lidl vai baixar, garantidamente, as minhas faturas de energia?
  • Resposta 2 Não automaticamente. Pode baixar as faturas se o usares em vez de ligar o aquecimento central, especialmente em uma ou duas divisões. Se o usares além do teu aquecimento habitual, ou o deixares ligado durante longos períodos, as faturas podem manter-se iguais ou até subir.
  • Pergunta 3 Como posso calcular o custo real de o usar?
  • Resposta 3 Verifica a potência (W) na caixa, multiplica pelo teu preço de eletricidade por kWh e mede quanto tempo está ligado. Um contador inteligente ou um monitor de consumo ligado à tomada dá uma leitura em tempo real, sendo a forma mais simples de ver quanto custa, de facto, cada hora.
  • Pergunta 4 É mais seguro do que um aquecedor de ventoinha barato de há anos?
  • Resposta 4 As unidades modernas incluem muitas vezes proteção contra sobreaquecimento e corte em caso de queda, mas a segurança depende sempre de como as usas. Mantém-nos longe de cortinas e roupa de cama, não tapes as grelhas de ventilação e não os deixes a funcionar sem supervisão ou durante a noite.
  • Pergunta 5 E se eu perder o lançamento no Lidl - há alternativas?
  • Resposta 5 Sim. Outros supermercados e lojas online vendem aquecedores de baixa potência e mantas aquecidas semelhantes, por vezes sob marcas genéricas. Dá prioridade à potência, às funcionalidades de segurança e a avaliações reais, em vez do emblema à frente ou do hype em torno de um único lançamento.

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