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Os gatos nao colocam as patas na mao do dono por acaso o que esta por tras desse habito deles

Gato deitado no sofá toca a mão de uma pessoa em gesto carinhoso.

O seu gato aproxima-se como quem quer mimos e, de repente, pousa uma pata na sua mão - quase a “segurar” os seus dedos. Este gesto raramente é aleatório: costuma ser uma forma de comunicar confiança, limites e controlo do contacto.

Pode ser afeto, pode ser pedido, pode ser “pausa aí”. Muitas vezes é conforto + gestão da distância: ele quer interação, mas nos termos dele.

O que o seu gato está realmente a comunicar com a pata

Pousar a pata é um contacto curto e controlado. Em vez de se expor (por exemplo, de barriga para cima ou a pedir colo), o gato toca, lê a sua reação e decide se fica, se pede mais ou se encerra.

Também é uma maneira de manter a situação previsível. Muitos gatos associam a sua mão a “festas”, “pegar no telemóvel”, “levantar-se” ou “acabou”. Ao tocar, ele pode estar a tentar estabilizar o momento (“continua assim”, “não mudes já”).

As 5 razões mais comuns por trás deste hábito

1) Afeto com segurança: “gosto de ti, mas ao meu ritmo”

Para muitos gatos, o ideal é carinho previsível e em pequenas doses. A pata funciona como um “ok, podes estar perto”, sem exigir colo nem manipulação.

Sinais típicos de conforto: corpo solto, pestanejar lento, cauda tranquila, orelhas neutras.

2) Pedido de atenção (ou de continuidade)

Se você pára as festas e ele volta a tocar (ou faz uma leve pressão), muitas vezes é “continua”. Alguns ajustam o ritmo assim: toque → 2–3 festas → toque.

Mas pode ser só uma sondagem. Se a sua mão mexe demasiado, as festas são rápidas/intensas ou você tenta pegá-lo ao colo, ele pode recuar: o toque foi um teste, não um convite.

3) “Não vás”: uma micro-estratégia para controlar a distância

Se acontece quando você trabalha, fala ao telefone ou se levanta, pode ser uma interrupção suave. Em vez de miar, morder ou arranhar, usa um gesto “social” e discreto.

Também pode ser negociação: se ele aprendeu que a sua mão muitas vezes antecede “acabou” (afastar do sofá, cortar a interação), pôr a pata pode ser uma tentativa de manter a ligação sem conflito.

4) Marcação social e cheiro: a assinatura invisível

As patas têm glândulas que podem deixar cheiro. Ao tocar, ele mistura cheiros e reforça “somos do mesmo grupo”.

Normalmente isto não é dominância; é marcação social leve, sem a intensidade de arranhar.

5) Autocontrolo: alternativa a morder ou arranhar

Alguns gatos entram em sobre-estimulação com festas (muito comum nas costas, base da cauda e sobretudo na barriga). Antes do “mordiscar de aviso”, usam a pata como travão: “já chega”.

Pistas de limite/irritação: cauda a bater, pele a ondular nas costas, pupilas muito dilatadas, orelhas a rodar para trás, cabeça a desviar-se da mão.

O detalhe que muda tudo: quando acontece e como o corpo do gato está

O mesmo gesto pode significar coisas diferentes conforme o contexto. Regra prática: note o que aconteceu antes, como está o corpo e o que ele faz a seguir.

Sinal no momento do toque O que costuma indicar O que fazer
Corpo relaxado, pestanejar lento Afeto e confiança Faça festas curtas e pare antes de ele se cansar
Pata a pressionar quando pára Pedido de mais atenção Continue num ritmo suave e consistente
Orelhas para trás, cauda agitada Limite/irritação Pare, dê espaço e não insista

Como responder sem estragar o “sim” (nem ignorar o “não”)

O erro mais comum é tratar carinho como “sempre bem-vindo” e “sempre igual”. Para muitos gatos, o truque é dosear e dar escolha.

  • Se parece afeto: faça 3–5 festas lentas, pare 2–3 segundos e deixe-o “pedir” a próxima ronda (voltar a tocar, encostar a cabeça, ficar ali).
  • Se é um “não vás”: fale baixo e evite afastá-lo com a mão. Melhor opção: dar uma alternativa perto (manta/cama ao lado) ou 1–2 minutos de brincadeira com cana/cordel para descarregar energia.
  • Se é sinal de limite: retire a mão devagar e termine. Insistir costuma transformar um aviso numa dentada/arranhão.

Detalhe útil: muitos gatos toleram melhor festas no queixo e bochechas do que “mão por cima da cabeça” ou barriga. Se ele endurece, reduza a intensidade e encurte a duração.

Quando este gesto merece atenção extra

Na maioria dos casos, é normal. Mas mudanças rápidas no padrão merecem atenção: um gato que nunca tocava e passa a fazê-lo de forma insistente, com agitação, miados fora do habitual ou procura constante de contacto.

Fale com o seu médico veterinário se, além do toque, notar:

  • dor ao ser tocado, mancar/claudicação ou evitar saltos (frequente em dor articular);
  • lamber/roer patas com frequência, inchaço, feridas ou mau cheiro (pele, unhas ou almofadas);
  • irritabilidade nova ou reação exagerada a festas (muitas vezes é desconforto físico, não “mau feitio”).

O que este hábito diz sobre a vossa relação

Um gato escolhe quando, como e por quanto tempo quer contacto. Pousar a pata na sua mão costuma indicar confiança suficiente para se aproximar, “testar” e ficar - com limites claros.

É um gesto pequeno, silencioso e direto: comunicação felina em modo eficiente.

FAQ:

  • O meu gato põe a pata e mostra as unhas. É agressivo? Nem sempre. Alguns esticam ligeiramente as unhas por excitação, para se fixarem ou por tensão. Veja o corpo: se houver rigidez, cauda a bater ou orelhas para trás, pare.
  • Se eu tirar a mão, ele volta a pôr a pata. O que significa? Muitas vezes é pedido de continuidade. Responda com festas curtas e pausas para perceber o “limite”.
  • Isto é o mesmo que “amassar pão”? Não. “Amassar” é rítmico e alternado, ligado a conforto. Pousar a pata na mão é um toque pontual para comunicar.
  • Devo recompensar com comida? Só se quiser reforçar o comportamento. Se o toque já é frequente, comida pode aumentar a insistência; muitas vezes basta atenção breve ou brincadeira curta.
  • É verdade que ele está a “marcar” a minha mão? Pode haver componente de cheiro e pertença, mas geralmente é marcação social suave - não dominância.

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